González Macchi reage às críticas e afasta hipótese de renúncia
Assunção, 24 (AE-AP) - O presidente do Paraguai, Luis González Macchi, procurou hoje (24) reduzir a importância das críticas a seu governo que levaram a oposição a pedir sua renúncia.
"Algumas pessoas acham que meu governo não está fazendo bem as coisas e esperam por minha renúncia", disse ele em entrevista coletiva, para concluir: "Creio que as próximas eleições serão uma boa oportunidade para ver se o povo está ao lado de González Macchi. Veremos em quem o povo aposta."
Ele se referia às eleições de 13 de agosto, para escolha do vice-presidente. Pouco antes, o secretário de imprensa da presidência paraguaia, Jaime Bestard, havia garantido: "O governo não vai cair."
González, líder do Partido Colorado, era presidente do Senado em 28 de março quando o presidente Raúl Cubas renunciou na esteira da grave crise institucional provocada pelo assassinato do vice-presidente Luis María Argaña três dias antes. Em rápida decisão da Suprema Corte, ele foi autorizado a substituir Cubas até o término do mandato presidencial, em 2003.
Mas a oposição, liderada pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), vem exigindo a saída de González, sob a acusação de "incapacidade para solucionar os graves problemas sociais e econômicos" do país.
"O Paraguai vive uma situação de completa ingovernabilidade"
acusou o líder do PLRA, senador Juan Carlos Ramírez Montalbetti. "González deve renunciar para que possamos buscar outras opções de governo."
Para agravar o quadro, o novo presidente da Corte Suprema, o jurista Carlos Fernández Gadea, pôs recentemente em dúvida a sentença judicial que entregou o poder ao presidente do Senado. "A decisão não tem força (de lei)", destacou o jurista. "É uma questão para se ver."
Reagindo a essa declaração, González disse que "cada um tem uma opinião" e lembrou que a Corte Suprema é constituída de nove juízes. "É uma questão de interpretação da Constituição."





