Gonzáles diz que Espanha não tem o direito de julgar Pinochet
Madri, 14 (AE-AP) - A Espanha não tem o direito de investigar ou julgar o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, especialmente se for levado em conta que o país nunca investigou seu próprio passado, afirmou hoje (14) o ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González.
"Fazemos com o Chile o que não ousamos fazer com nós mesmos. Por quê?", perguntou González num artigo publicado hoje no diário madrileno El País.
A afirmação foi uma aparente referência ao fato de a Espanha não ter promovido qualquer investigação judicial em relação à ditadura do general Francisco Franco, de 1939 a 1975, e durante a qual, segundo afirma-se, dezenas de milhares de pessoas foram sumariamente fuziladas.
González disse que tanto o golpe de Estado do general Pinochet no Chile em 1973 como o de Franco, em 1936, que deu início à Guerra Civil espanhola, eram igualmente condenáveis.
O dirigente socialista afirmou que com a volta de democracia no Chile, Pinochet poderia ser julgado em seu país, mas que os espanhóis "não têm o direito de ser os julgadores".





