A Caixa Econômica Federal pode ter que pagar R$ 600 mil ao fazendeiro João Luiz Carraro, que teve essa quantia desviada em uma agência do banco em Curitiba. Carraro iria receber parte de uma indenização de desapropriação de terra, feita em uma de suas fazendas na região de Paranavaí, Noroeste do Estado. No entanto, uma pessoa chamada Alarico José Medeiros desviou o dinheiro apresentando uma procuração falsa, que o autorizava a resgatar esse recurso.
Por causa do desvio, a Caixa aguarda o resultado das investigações da polícia e o fechamento de uma sindicância interna para depois pagar o fazendeiro. O caso aconteceu há três meses, mas somente agora a Polícia Federal divulgou o golpe.
O golpista criou uma identidade falsa – a de Alarico José Medeiros – que foi emitida em Santa Catarina. O endereço para abrir uma conta bancária na agência Juvevê, em Curitiba, foi forjado através de uma fatura de energia elétrica de um imóvel visitado pelo golpista. Ele demonstrou interesse em alugar a casa e requereu a ligação da luz à Copel, que emitiu a conta em seu nome.
Segundo a polícia, o golpista adulterou um carimbo do 11º cartório de Curitiba, que fica no bairro Pinheirinho, e que serviu para autenticar uma falsa procuração de João Luiz Carrano para Alarico José Medeiros.
Com informações sobre o pagamento da indenização ao fazendeiro, Alarico Medeiros obteve da Justiça Federal o direito de recebê-lo e movimentá-lo, comercializando com uma corretora. ‘‘A indenização foi paga com Títulos de Dívida Agrária (TDA), que são ações em forma de dinheiro’’, explicou o procurador do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Nirclésio Zabot. Os R$ 600 mil representam 80% do valor total do valor do imóvel.
Com essas informações e a documentação necessária, Alarico Medeiros abriu a conta no banco. Com a procuração, o dinheiro da indenização, que iria para João Carrano, foi transferido para a conta do fraudador. Para não levantar suspeita, o golpista depositou o recurso na poupança, a qual foi esvaziando aos poucos.
Devido à complexidade do golpe, o delegado responsável pelo processo, Marco Antônio Moura, está investigando vários pontos. Foi solicitada a fita de segurança da agência, para tentar o reconhecimento do fraudador. Também está colhendo informações na imobiliária, visitada por Alarico Medeiros para ter acesso ao imóvel usado como referência de moradia. A Polícia Federal também quer saber como o farsante conseguiu informações detalhadas sobre a indenização.

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