Golpes proliferam nas ruas de Maringá
Praça central é um dos locais preferidos pelos golpistas; prejuízos das vítimas este ano ultrapassam R$ 14 mil
Marcos NegriniFalsas promessasPraça Raposo Tavares, em frente à rodoviária velha: maioria das vítimas de estelionatários são mulheresMarta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
O estelionato, através de golpes conhecidos como contos do bilhete, está deixando a polícia de Maringá em alerta. Para se ter uma idéia, somente de janeiro a junho deste ano, em ocorrências registradas na 9ª Subdivisão Policial (SDP), foram aplicados cinco golpes que causaram prejuízos de quase R$ 14 mil. Os números são na realidade bem maiores, pois grande parte das vítimas não apresenta queixa na delegacia.
Para a polícia, prender os golpistas é difícil. Geralmente eles nunca atuam seguidamente e muito menos moram na cidade onde apanham as vítimas. ‘‘A pessoa que cai em um golpe fica com vergonha e tão desorientada que demora para acionar a polícia e quando o faz já é muito tarde’’, conta o delegado-operacional da 9ª SDP, Paulo Machado.
Alguns golpes são mais antigos que até o próprio Código Penal elaborado em 1941. O livro ‘‘Manual de Investigação Policial’’, de Coriolano Nogueira Cobra, cuja 5ª edição é de 1976, relaciona nada menos do que 23 tipos de ‘contos’. A maioria continua sendo aplicada. O que impressiona também é que o conto do ‘‘bilhete premiado’’, um dos mais velhos, é o mais utilizado pelos golpistas em novas versões.
Nas queixas da 9ª SDP, dos cinco golpes registrados, quatro são da ‘‘Quina Premiada’’ e um da ‘‘Recompensa’’. O próprio ‘‘Manual de Investigação’’ lembra que as formas de estelionato são tão variadas, ‘‘que se pode dizer que o número delas tem por limite a engenhosidade humana’’.
Para o delegado-operacional, os golpistas agem como verdadeiros artistas, envolvendo as pessoas em uma história triste ou emocionante, mas que sempre precisa de ‘‘dinheiro’’ como garantia de uma promessa. ‘‘O pior é que eles têm um olho clínico’ para escolher as vítimas e dificilmente erram o alvo’’, completa Machado. Segundo ele, 80% das vítimas são mulheres.
Além de manter um modo de operação peculiar, os golpistas preferem o centro da cidade para agir. Até porque, em um bairro, a atuação seria limitada pelo conhecimento comunitário que o lugar oferece. Mas na área central, as vítimas são encaradas como presas fáceis.
Nas últimas ocorrências registradas pela polícia, os golpes foram aplicados em locais como as praças e avenidas centrais. ‘‘Um estelionatário nunca age sozinho e sempre está acompanhado de uma ou mais de duas pessoas’’, lembra o delegado.
O mais relevante no perfil do golpista é, no entanto, a ganância pelo dinheiro fácil. É esta característica, aliás, que também leva a vítima a cair no golpe. Por causa disso, no meio policial é corrente a idéia de que a vítima também deveria ser enquadrada como estelionatária. Afinal, de uma maneira ou de outra, ela também está interessada na vantagem financeira oferecida pelo golpista.
‘‘É preciso ter sempre em mente que ninguém, principalmente nos dias de hoje, vai oferecer dinheiro fácil. Por isso, é sempre prudente desconfiar e acionar a polícia no mesmo instante’’, alerta Paulo Machado.

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