Curitiba- Uma operação policial realizada simultaneamente em cinco cidades de três estados brasileiros terminou ontem com a prisão de duas das nove pessoas que fariam parte de uma suposta quadrilha que aplicava o golpe da casa própria em consumidores paranaenses. O golpe era simples. Através de anúncios em estações de rádio ou em jornais, os comerciantes prometiam casa própria, carro e até um volume de dinheiro como empréstimo aos consumidores. Bastava que fosse feita uma espécie de consórcio em que o consumidor entrava com o lance inicial e assumia prestações mensais definidas de acordo com o bem que deveria ser comprado.
A empresa Fórmula Um Empreendimentos Imobiliários tinha sede em Curitiba e representantes em vários estados. Os donos, gerentes e vendedores autônomos da empresa são acusados de aplicar o golpe do consórcio de carros, casas e terrenos populares em pelo menos 400 pessoas em Curitiba e região metropolitana. Os integrantes da suposta quadrilha teriam movimentado pelo menos R$ 1,5 milhão recebendo dinheiro dos clientes sem entregar o produto ou valor prometido.
Uma das pessoas lesadas foi a auxiliar de escritório Ediomar Pereira dos Santos, 40 anos. Ela mora numa casa no Jardim Aliança, periferia de Curitiba. Ediomar resolveu procurar a empresa depois de ouvir no rádio que a financeira tinha respaldo do Código Civil e fiscalização do Banco Central. ''Minha filha nasceu e eu ficava pensando que precisava terminar minha casa, por um forro no chão. Eu não queria que ela engatinhasse no pó, no chão bruto. Então resolvi fazer um empréstimo'', contou ela. Em licença maternidade, Ediomar já estava no limite do cheque especial. Conseguiu aprovar o cadastro dela e pagou uma taxa de adesão de R$ 778, assumindo prestações mensais de R$ 208 por 48 vezes. Ela receberia dias depois um valor total de R$ 8.875 para terminar sua casa.
O dinheiro nunca foi depositado na conta dela. Um mês depois de tentar procurar os donos da empresa, ela acabou indo pedir ajuda à Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon). ''Tínhamos recebido poucas denúncias desse sentido, mas logo percebemos que era um golpe e resolvemos acionar a Delegacia do Consumidor. Entramos na Justiça e conseguimos o fechamento da empresa que operava irregularmente e atuava no mercado para enganar o consumidor'', informou ontem Elizandra Pareja, advogada do Procon.

mockup