Golfo de Hauraki é o "Maracanã" da Vela
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domingo, 27 de fevereiro de 2000
Por Ary Pereira JR. (Enviado especial) 
Auckland, Nova Zelândia, 28 (AE) - Dia de regata em Auckland é como final de campeonato entre Corinthians e Palmeiras ou Flamengo e Vasco. A torcida segue em massa para o local da prova, de preferência bem cedo, escoltando os veleiros Black Magic e Luna Rossa, que deixam a marina do New Zeland Cup Village cerca de três horas antes da largada. A partir do centro da cidade, navega-se pouco mais de uma hora até a raia do Golfo de Hauraki. As filas de embarque estendem-se por todos os píeres de Auckland.
àculos, chapéu, protetor solar, máquina fotográfica e cerveja são intens obrigatórios na bagagem. Contagiados pela divulgação da Americas Cup, e por consequência do país, na mídia mundial, os neozelandeses estão dizendo que o Oceano Pacífico começa na Quay Street, a rua da orla central de Auckland. Calcula-se um público superior a cem mil pessoas a bordo de mais de duas mil embarcações a cada regata. Talvez nos finais de semana os números reais possam chegar perto da estimativa.
Os barcos sempre procuram uma posição atrás da bóia que serve de marca para a largada e a chegada, os dois momentos de maior emoção em cada prova. Aglomeram-se formando uma parábola, uma meia-lua, lembrando um estádio de futebol que só tem arquibancadas atrás de um dos gols. Quem chega atrasado tem que se contentar em parar perto da outra bóia.
A esposa do tático Torben Grael, torce pelos italianos a bordo de uma das lanchas de apoio da equipe Prada. Andrea respira a emoção da raia de Hauraki a cada regata. "E fantástico ter uma platéia dessas. Só lembro de ter visto algo parecido na procissão de Angra dos Reis, mas lá não era regata. Isso aqui "é o Maracanã da vela".
O aumento na quantidade de torcedores está levando ao Golfo de Hauraki navios desproporcionais. No último final de semana havia um transatlântico, todo branco, de bandeira italiana e um mercante, de casco preto, com uma enorme lona bege
adaptada como tenda, sobre o convés. Onde deveria haver carga, estavam os espectadores.
O destaque da flotilha da torcida da Americas Cup porém
tem sido uma caravela, réplica da Endeavour, que em 1769 chegou ao país comandada por James Cook. O cientista inglês mapeou as terras e tomou posse em nome da rainha da Inglaterra, tornando-se o descobridor oficial da Nova Zelândia. Mesmo nos dias em que a regata é adiada, não falta diversão. Para amenizar a longa e inútil espera pela chegada do vento, os espectadores que estavam a bordo das embarcações no Golfo de Hauraki, procuraram aproveitar o domingo de sol da melhor forma.
Alguns optaram por um mergulho. A temperatura da água, em torno dos 22 graus, é convidativa. A maioria preferiu pescar. Numa das lanchas da imprensa, por exemplo, foram fisgados quatro "king-fish", peixe cinza-claro, com peso aproximado de um quilo e meio. Os tripulantes do barco prepararam os peixes para todos os gostos dos jornalistas que estavam a bordo: dois foram direto para a frigideira, outros dois viraram sushi.


