São Paulo, 9 (AE) - A Golfinho Azul - entre as cinco maiores empresas do setor de pescados congelados - refez para baixo suas contas e projeta uma receita da ordem de R$ 11 milhões. Até maio a perspectiva de faturar R$ 15 milhões se mantinha em pé. O curioso é que a retração nos negócios não se deve a queda no consumo, mas a alta do preço da matéria-prima importada.
Por conta da variação cambial, a Golfinho tirou de linha seis dos seus produtos e suspendeu a exportação para o Japão. A matéria-prima importada respondia por 50% da produção de 130 de toneladas/ano, até meados de janeiro hoje não chega a 25%.
A saída imediata, explica Renato Stanzione, gerente de vendas, foi substituir, em alguns casos, produtos por um mix de espécies nacionais, garantindo o abastecimento do varejo. A outra, tirar de linha os seis produtos que mais encareceram, como foi o caso do kani kama.
Os outros produtos serão contemplados com reajustes em torno de 20% no próximo mês. "Não dá mais para operar arcando com custos", reclama Stanzione. A empresa nos últimos anos "vinha registrando crescimento médio de 30% ao ano". Embora o resultado do ano não seja o esperado o gerente de vendas afirma que a Golfinho está se reestruturando para enfrentar o ano 2000. "As vendas deverão ficar pelos menos 40% acima deste ano", afirma. Para garantir bons resultados empresa contratou recentemente um consultor, trabalhando "full-time" na reestruturação da Golfinho. "Estamos nos preparando para liderar o mercado", adianta. "O mercado de peixes no Brasil é pouco explorado, resultando em baixo consumo", explica. No ranking mundial, o Brasil ocupa apenas a 12ª posição, perdendo para países com território geográfico e costa marítima muito menor.
O mercado nacional consome 9.000 toneladas de peixe, enquanto o Japão, por exemplo, consome 9 milhões de toneladas/ano. Portugal tem um consumo de 71 quilos per capita, Noruega 42 quilos e em 4º lugar vem a Espanha com um consumo de 38 quilos.

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