Imagem ilustrativa da imagem Goioerê se prepara para receber refugiados venezuelanos
| Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil



O município de Goioerê (Centro-Oeste) irá receber, na madrugada da próxima sexta-feira (31), 60 refugiados venezuelanos que estão abrigados em Roraima. A transferência dos estrangeiros faz parte da sexta etapa do programa de interiorização dos imigrantes. Goioerê será a primeira cidade paranaense a receber venezuelanos e eles serão acolhidos em uma estrutura da Aldeias Infantis SOS Brasil.

A ação foi organizada dentro da Operação Acolhida, iniciada pelo governo federal, em parceria com a Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), entidades da sociedade civil e prefeituras. O objetivo é dar assistência aos imigrantes que chegaram ao Brasil fugindo da crise que atinge a Venezuela. "No MDS (Ministério do Desenvolvimento Social), existe uma relação das organizações instaladas no País que prestam serviço para atender essa população. Mas quem faz esse trabalho todo é a Acnur, que é um braço da ONU. Eles entraram em contato conosco e, em tese, estamos prestando um serviço para a Acnur", explicou o gestor de territórios do escritório da Aldeias Infantis SOS Brasil em Goierê, Alex Thomazi.

Os venezuelanos ficarão instalados em um condomínio de propriedade da entidade que atualmente está desocupado. Segundo Thomazi, a estrutura compreende seis casas com quatro quartos cada uma, sala e cozinha amplas, localizada a dois quilômetros do centro da cidade. No local também há espaço para o cultivo de hortas. A Aldeias Infantis SOS Brasil é uma organização humanitária internacional que trabalha pelo direito de crianças, adolescentes e jovens a viver em um núcleo familiar.

O transporte dos refugiados será feito em avião da FAB (Força Aérea Brasileira) e a chegada dos venezuelanos ao Centro-Oeste paranaense está prevista para a 1 hora desta sexta-feira. A Acnur irá repassar uma verba à entidade responsável pela acolhida para custear gastos com alimentação, vestuário, higiene, limpeza e manutenção das moradias. Thomazi disse que não tem autorização para revelar o valor que será repassado à entidade em Goioerê. "Vamos realizar todo o processo de acolhida e auxiliar nos cuidados aos venezuelanos para que sejam integrados à comunidade", afirmou o gestor.

Ao governo municipal caberá garantir os serviços básicos disponíveis ao restante da população, como educação, saúde, transporte e segurança. "O MDS entrou em contato conosco na última terça-feira (21) e nos informou que o processo de interiorização iria acontecer em Goioerê e que os refugiados chegariam aqui no dia 31. Queriam essa reunião com o município porque possivelmente vem uma demanda por serviços", disse a secretária municipal de Assistência Social de Goioerê, Simone Cristina Braz Coelho.

Em uma lista prévia encaminhada ao município, estava prevista a chegada de 35 adultos, 23 crianças e dois adolescentes. "Falei com a secretária de Educação e ela já estava preparando escola. Provavelmente eles vão ficar todos na mesma instituição, até para facilitar o transporte já que a moradia fica afastada da cidade", comentou Coelho. "Acredito que uma equipe da saúde também irá in loco para fazer um levantamento das demandas."

A secretária de Assistência Social disse que a prefeitura ainda não fez o cálculo do impacto que a chegada dos refugiados terá no município porque foi uma decisão muito rápida, mas ressaltou que a administração entende que essa é uma questão humanitária e age com o espírito de tentar ajudar. "É uma forma de colaborarmos para que essa população seja acolhida."

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