GM tem surto psicótico e é contido por colegas
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segunda-feira, 30 de abril de 2018
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O Guarda Municipal Ivo Alves sofreu um surto psicótico na noite de domingo (29) e precisou ser contido pelos seus próprios colegas na rua professora Maria do Rosário Castaldi, Conjunto Café (zona leste). Ele era parceiro do GM Leonardo Lopes Camargo Gualberto, que foi morto no interior de um mercado localizado na avenida Jules Verne, jardim Santa Rita (zona oeste), e segundo o cunhado de Alves, Ivo Aparecido da Silva, desde então vem apresentando sinais de depressão. "Desde que seu parceiro morreu ele tem chorado muito", afirmou Silva.
Segundo testemunhas, Alves teria começado a gritar dentro de sua casa por volta das 14 horas. Ele teria batido a porta de sua própria casa com força algumas vezes antes do episódio. O GM foi contido por sua esposa para acalmar os ânimos, no entanto, por volta das 20 horas ele teria saído de sua residência sem camisa e com arma em punho e agiu de maneira descontrolada no meio da rua. Testemunhas relatam que ele teria dirigido xingamentos contra vizinhos e ameaçado pessoas que tentaram trafegar pela rua, ordenando que retornassem sob ameaça da arma, entre elas uma criança. Seus vizinhos afirmam que ele já havia agido de maneira semelhante em outras quatro ocasiões.
Os relatos das pessoas ouvidas pela reportagem apontam que houve uma colisão de seu veículo contra o carro de um vizinho, que teria apresentado a conta do prejuízo ao GM. O guarda municipal teria ficado revoltado com a conta apresentada e passou a xingar o vizinho.
As pessoas relataram que seu estado psicológico estava visivelmente alterado e , aparentava ter consumido bebida alcoólica. Seu cunhado contesta essas versões e diz que os vizinhos é que teriam desacatado sua autoridade como GM e realizado muito barulho na vizinhança.
Alves só foi contido depois de levar um choque de uma arma não letal utilizada por um colega da própria guarda que atendia a ocorrência. O GM teve de ser amarrado e conduzido à ambulância do Siate e recebeu sedativos.
O diretor administrativo da Guarda Municipal, Valdir Roque de Lima, afirmou que as equipes da Guarda Municipal receberam o chamado informando que alguém estava realizando disparos com armas de fogo e se surpreenderam quando se depararam com o próprio colega na situação. "Ele estava tão transtornado que não reconhecia os próprios companheiros. Como ele não reconhecia ninguém e continuava agitado, a equipe fez a imobilização dele", relatou Lima. "Ele não estava em horário de trabalho e não constatamos disparos. Recolhemos a arma dele e a munição controlada pela GM", apontou.
Alves foi conduzido para o Hospital da Zona Sul, onde permanecia internado na tarde desta segunda-feira (30). Seu cunhado informou que Alves teve um princípio de infarto do miocárdio. "Na realidade, foi um surto psicótico. Não sabemos o que aconteceu. Ele sempre foi um profissional exemplar. Não tem nenhuma anotação em sua ficha comportamental", argumentou o diretor da GM.
Recentemente a Guarda Municipal tem se envolvido em ocorrências violentas que preocupam a população. Em abril do ano passado, o ex-guarda municipal Ricardo Leandro Felippe matou três pessoas. Em novembro, um GM matou um homem na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do jardim Sabará (zona leste). Em março deste ano, o jovem Matheus Ferreira Evangelista, 18, morreu após ser baleado na rua Aristides Vaz, no Jardim Porto Seguro (zona norte), e um Guarda Municipal é o principal suspeito.
O diretor administrativo da Guarda Municipal argumenta que no caso de Felippe foi uma "situação passional". No caso da UPA ele aponta que foi legítima defesa. Sobre o caso de Evangelista ele afirma que a situação está sob apuração pela Polícia Civil e que não podia tecer comentários.
Lima enfatiza que a direção da GM tem trabalhado na orientação do cumprimento da lei e que tem realizado treinamento da GM, além de realizar encaminhamentos para a análise psicológica.
A assessoria de imprensa da prefeitura ressaltou que a ocorrência ocorreu em horário de folga do GM, embora ressalte que isso não justifique o ocorrido, e que não houve disparo de arma de fogo. A assessoria disse ainda que a instituição tomou as medidas cabíveis e que a PM esteve no local e lavrou o boletim de ocorrência de acordo com a sua visão dos fatos, sem interferência da Guarda Municipal.
Na nota da assessoria, as possíveis causas apontadas são que o GM estava se separando da esposa e que era parceiro do GM assassinado há poucos meses. Entre as providências tomadas estão o recolhimento da arma de fogo, suspensão do porte de armas, encaminhamento para psicóloga da DSO (Diretoria de Saúde Ocupacional) e acompanhamento e apuração formal dos fatos.
"No caso de domingo temos a medicina do trabalho e encaminhamos para a psicóloga de lá, que irá orientar e repassar todo o acompanhamento psicológico. Instauramos procedimentos administrativos e vamos ouvir vizinhos de maneira detalhada. A princípio ele já foi afastado das ruas por cautela e a arma já foi recolhida", apontou Lima.
O diretor diz que nunca houve registro de que Alves realizava algum tipo de tratamento psicológico. "Ao contrário. Os colegas de trabalho o tem como profissional exemplar", argumentou. Lima disse desconhecer que Alves tomasse algum tipo de remédio controlado. "A única coisa que ele utiliza são medicamentos para controlar o uso de tabaco."


