Londrina - Com quase três meses de atraso, a Guarda Municipal recebeu ontem um dos ônibus que serão utilizados dentro do programa "Crack, é possível vencer", do governo federal. Londrina aderiu ao projeto no ano passado. Um dos eixos da campanha prevê a integração de ações de prevenção, repressão e reabilitação a usuários da droga desenvolvidas pelas secretarias municipais de Defesa Social, Saúde e Assistência Social.
De acordo com o diretor da Guarda Municipal, Osmar dos Santos, Londrina será contemplada com dois kits de segurança. Cada um deles é formado por um ônibus, duas viaturas, quatro motocicletas, 20 câmeras de videomonitoramento e 50 armas não letais de eletrochoque. Por enquanto, o que chegou foram o ônibus e as 100 armas. Mas, conforme explicou Osmar dos Santos, os equipamentos só poderão ser utilizados conjuntamente, conforme está previsto em contrato. Ou seja, na prática o "Crack, é possível vencer" ainda não começou na cidade. É preciso esperar o fim dos processos licitatórios para o Ministério da Justiça comprar e fornecer os suprimentos.
"Não temos previsão de quando teremos esses equipamentos porque depende da licitação do governo federal. É um processo demorado, tanto que o ônibus estava previsto para chegar em agosto, mas assim que os equipamentos chegarem providenciaremos sua instalação porque queremos colocá-lo em funcionamento o quanto antes", afirmou o chefe da Guarda Municipal.
Ele explicou que o ônibus precisa ser equipado com a instalação de um sistema interno de videomonitoramento para captar as imagens geradas por câmeras de vigilância que serão instaladas em pontos estratégicos do entorno do Marco Zero, abaixo do Terminal Rodoviário, na zona leste, e do Residencial Vista Bela, zona norte. Essas duas regiões são consideradas pelas forças de segurança as duas áreas nevrálgicas de consumo crack na cidade.
"O ônibus terá um sistema interno de armazenamento de imagens para identificação dos usuários, que serão encaminhados ao Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps-AD) e depois passarão pelo processo de ressocialização, por isso a importância do trabalho integrado entre Defesa Social, Saúde e Assistência Social. Os usuários serão tratados pelo programa como pacientes", frisou Osmar dos Santos. "É claro que eles também responderão criminalmente, mas como como o uso de drogas implica em assinar termo circunstanciado e depois a pessoa é liberada, o melhor encaminhamento é o atendimento médico", acrescentou.
Cerca de 60 guardas municipais participaram do curso de capacitação para manusear as armas de eletrochoque. O diretor da Guarda crê na eficácia do programa. "Se for realizado num todo, com a integração das três secretarias, com certeza é uma medida eficiente, que trará bons resultados", avaliou.

SAÚDE
Em relação às ações do "Crack, é possível vencer" na área da Saúde, a diretora de Serviços Complementares em Saúde da secretaria municipal, Cláudia Denise Garcia, a construção dos dois Caps-AD 24 horas prevista no programa está na fase de licitação para a contratação das empresas que vão elaborar os projetos arquitetônicos das unidades. O governo federal já liberou a verba de R$ 2 milhões para a construção dos prédios. A compra de equipamentos e contratação de funcionários serão responsabilidade do município.
A Secretaria de Saúde procura um outro terreno para o novo Caps-AD adulto, já que a Secretaria de Meio Ambiente não autorizou a utilização de uma área anexa ao atual Caps, próximo à barragem do Lago Igapó, porque estaria em um fundo de vale.
O outro Caps-AD, que terá atendimento infanto-juvenil, será erguido na zona norte. "Esperamos que as obras iniciem no próximo ano, mas não podemos dar um prazo porque dependemos do governo federal", disse Cláudia Garcia.

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