São Paulo, 30 (AE) -- A General Motors poderá abrir um programa de demissões voluntárias. Segundo o presidente da empresa, Frederick Henderson, a decisão dependerá da avaliação do mercado nas próximas semanas. "Estamos avaliando o nível de vendas em novembro e dezembro e a confiança do consumidor para janeiro e fevereiro", disse.
Segundo Henderson, para manter o nível de emprego atual a venda total de veículos no Brasil precisa ser de pelo menos 110 mil unidades por mês. Em outubro foram vendidos 85 mil e segundo o executivo, em novembro - cujo resultado ainda esta sendo apurado - o desempenho foi pior, conforme avaliação feita nos 20 primeiros dias do mês.
A General Motors têm cerca de 18 mil funcionários. A empresa vai dar quatro semanas de férias coletivas para os empregados de São Caetano do Sul, no ABC paulista, e de três semanas para o pessoal de São José dos Campos, no Vale do Paraíba. "Com as férias coletivas, vamos produzir 30 mil veículos entre dezembro e janeiro", disse o presidente da montadora. Isto significa que a oferta mensal vai baixar das atuais 18 mil para 15 mil unidades. "Com isso tentaremos reduzir os estoques nos concessionários, que somam 30 mil veículos", explicou.
Sobre a hipótese de demissões, Henderson disse: "Não posso liminar a possibilidade, mas tentaremos evitar". Ele explicou que a empresa já reduziu as horas-extras e também a jornada este mês, como forma de diminuir o ritmo de produção. Henderson disse, porém, que a idéia é concluir a avaliação de mercado com base no médio prazo. "Temos de avaliar e advinhar um pouco também", destacou.
Frota - Se o governo criar o programa de renovação da frota a indústria poderá vender entre 100 mil e 200 mil veículos a mais no próximo ano, o que resultaria no mercado total de 1,5 milhão, segundo o presidente da GM. Mas o setor ainda não conseguiu repassar para o mercado os aumentos de preços, em torno de 12%, fixados há mais de um mês.
E agora a indústria de veículos acumula novos custos. Segundo Henderson, somente por conta de insumos e autopeças - contando a perda com a desvalorização câmbial - os fabricantes de veículos acumularam este ano aumento de 28% nos custos. Mas também aumentaram os preços em 25%.
Segundo Henderson dados de consultores indicaram que até setembro as quatro maiores montadoras de veículos instaladas no Brasil somaram prejuízos de R$ 2,3 bilhões. Isto vêm confirmar a previsão de perdas entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões este ano. Somente na Argentina as montadoras tiveram prejuízo entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões.
Gravataí - A fábrica que a General Motors está construindo em Gravataí, no Rio Grande do Sul, começará a produzir em junho, para colocar os primeiros carros no mercado em agosto. No primeiro ano de operação, serão produzidos somente carros populares, com motor 1.0 para serem vendidos no Brasil. Posteriormente, a planta fabricará outras versões com motores mais potentes e deverá exportar para o Mercosul.
O carro que a General Motors fará no Rio Grande do Sul é um subcompacto. A empresa pretende produzir alí o veículo mais barato do país. A idéia é explorar o mercado hoje ocupado pelo Mille da Fiat, que custa em torno de R$ 11.000,00. O novo carro, cujo projeto chama "Blue Macaw", ainda não tem nome.

mockup