Detroit, EUA, 12 (AE) - A General Motors demoliu uma fábrica em Lansing, capital do Estado de Michigan, para instalar ali o projeto de produção industrial que está implantando no Rio Grande do Sul. O chamado condomínio industrial, sistema no qual a linha de montagem é circundada pelos principais fornecedores, será utilizado ainda em outras fábricas dos Estados Unidos. A fábrica que está sendo construída em Gravataí, no Rio Grande do Sul, será inaugurada em junho.
A substituição do conceito de produção em Lansing consumirá investimento de US$ 500 milhões, segundo o vice-presidente do grupo General Motors, Mark Hogan. O condomínio industrial de Lansing vai fabricar a linha Catera, substituta do Omega, numa capacidade anual de 150 mil veículos por ano.
Segundo Hogan, que já foi presidente da General Motors do Brasil, o conceito de condomínio também será utilizado numa nova fábrica que será construída em Ohio. Segundo ele, a experiência brasileira poderá ser repetida pela companhia em outras partes do mundo.
A nova fábrica da GM no Brasil está sendo concebida dentro de um conceito que também está sendo usado no Brasil por Renault e Volkswagen/Audi. Os fornecedores que montam os conjuntos de componentes - como painéis, suspensão e outros - ficam próximos à linha de montagem, o que soma a média de 15 a 20 empresas de autopeças. Num ousado projeto de produção enxuta, a planta de Gravataí vai produzir um carro subcompacto - cujo projeto se chama Blue Macaw (Arara Azul).
Liderança - A General Motors pretende, com o Blue Macaw, ter o carro mais barato do Brasil. Mas o desaquecimento do mercado está preocupando a direção da companhia. O presidente mundial da GM, Rick Wagoner, que também já foi presidente da subsidiária brasileira, disse à Agência Estado que o resultado do lançamento do novo automóvel depende do que estará acontecendo no segmento de consumo que a empresa quer atingir. "Também não sabemos se alguma outra empresa vai tomar alguma ação em resposta ao nosso projeto", disse.
A General Motors vai fabricar o Blue Macaw em outras partes do mundo. Mas não escolheu ainda os países, segundo Wagoner. No Brasil, O projeto está absorvendo investimento de US$ 600 milhões da General Motors e mais US$ 400 milhões dos fornecedores.
O presidente da GM do Brasil, Frederick Hendersen, acredita que o crescimento da participação da marca estará vinculado ao novo carro. "É preciso ter presença forte no segmento de carros populares para ter presença no Brasil", disse durante o North American International Auto Show, o salão do automóvel de Detroit. "Estamos no terceiro lugar no Brasil por causa dos populares", completou.
A participação da GM no mercado brasileiro tem crescido aos poucos nos últimos três anos, período em que a concorrência aumentou com a chegada das novas marcas. A fatia da empresa nas vendas passou de 21,1% em 1997 para 22% em 1998 e 22,5% em 1999. Hendersen lembrou que na Europa, o líder de mercado costuma ter fatia em torno de 18%. "No futuro, no Brasil, com a chegada dos novos concorrentes, a liderança deverá representar uma participação de 22% a 25%", completou. Hoje a líder Volkswagen tem em torno de 30%.