Porto Alegre, 7 (AE) - O novo carro da General Motors será lançado em junho de 2.000. Ele será produzido na montadora da General Motors em Gravataí, no Rio Grande do Sul. O anúncio foi feito hoje pelo presidente nacional da GM, Frederick Henderson, em Porto Alegre, logo depois de firmar o contrato para conclusão das obras com o governador Olívio Dutra (PT). Com a revisão do acordo com a GM, o governo gaúcho informou ter economizado R$ 103 milhões. Henderson disse que a revisão do contrato foi "profissional e razoável".
A indústria e o governo gaúcho revisaram o acordo assinado pelo ex-governador Antonio Britto (PMDB), depois que Olívio invocou a difícil situação financeira que herdou no Rio Grande do Sul, com um passivo à descoberto de R$ 1,2 bilhão. Em Gravataí, na região metropolitana da capital gaúcha, a montadora desenvolverá o projeto Arara Azul, de um novo veículo. O investimento é de R$ 600 milhões e produzirá 120 mil veículos por ano. As conversações com entre governo e GM estenderam-se durante os meses de março e abril. "Vamos caminhar rápido, completar o projeto e fazer carros para vender", enfatizou Henderson.
Diante da impossibilidade da administração cumprir o acordo original, a GM concordou, por exemplo, em pagar antecipadamente uma parcela de R$ 34,5 milhões. Ela provém do empréstimo favorecido de R$ 253 milhões -- sem correção monetária e juros de 6% ao ano -- que a empresa recebeu em março de 1998 e que só devolveria, parceladamente, a partir de 2.002.
Um valor de R$ 13 milhões será entregue no dia 10 deste mês pela GM. O pagamento do restante dos R$ 34,5 milhões será concluído no final de 1.999. O diretor-adjunto de assuntos institucionais da empresa, Luiz Moan, observou que o documento não foi afetado em seus compromissos básicos.
"Adequamos o projeto GM às condições do Rio Grande, que não possui os recursos", avaliou o governador. A seu ver, a negociação "requalificou"as relações entre GM e governo. Sustentou que as conversações com a empresa mostraram que o Estado defende "a austeridade e o trato correto com o dinheiro público". Adiantou que seu governo continua, dentro destes termos, receptivo à discussão de novos investimentos.
Custos - A GM também assumiu os custos de estamparia e foi dispensada a fornecedora que faria esta tarefa. Com isto, outros R$ 41 milhões que sairiam dos cofres estaduais para financiar a AG Simpson-Usiminas, que seria uma de suas sistemistas, foram poupados. Mais R$ 14,3 milhões -- soma de obras remanescentes de abastecimento de água, tratamento de efluentes industriais, fornecimento de energia e gás a serem realizadas pelo Estado -- serão cobrados mais tarde, através do pagamento de tarifas. O governo igualmente se desobriga da construção de obras em estradas, estaduais e federais, no montante de R$ 13,2 milhões.

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