GM e Ford estão entre os interessados pela quase falida Daewoo2/Mar, 11:06 Por Sang-Hun Choe Seul (AE-AP) - Durante a maior parte dos anos 90, o conglomerado Daewoo estendeu suas asas, abrindo fábricas na ásia no Oriente Médio e Leste europeu. A rápida expansão combina com o nome da companhia: "grande universo" em coreano. Mas, quando veio a crise econômica asiática, as vendas da Daewoo caíram e a empresa foi esmagada por uma montanha de dívidas, fazendo com que alguns coreanos que falam inglês a apelidassem de "Dae-woe" (algo como "Dae-desgraça"). Agora, o grande conglomerado em dificuldades está sendo dividido por seus credores e os potenciais compradores estão dispensando especial atenção à operação automotiva da Daewoo e seu acesso aos mercados asiáticos, que estão começando a se recuperar. "Estes mercados vão crescer e significam boas oportunidades se você administrar bem seu negócio, por isso precisamos conquistar posições nestes locais", disse recentemente G. Richard Wagnoer Jr., presidente e CEO da General Motors Corp. Num esforço para recuperar pelo menos parte dos US$ 82 bilhões devidos pelo conglomerado, os bancos estão planejados leiloar 22 das afiliadas Daewoo, que produzem carros, caminhões, navios, têxteis e pesticidas. A Daewoo Motor, a segunda maior produtora de automóveis da Coréia do Sul e principal motor da expansão global do conglomerado, foi colocada neste bloco de vendas nas última semana. A GM, que já tem alguma penetração na ásia onde é sócia da Subaru, Isuzu e Suzuki, confirmou que entrará na disputa. A Ford Motor Co., que controla as operações da Mazda, também considera esta possibilidade. A mídia sul-coreana disse que a DaimlerChrysler, a Fiat e a Volkswagen também estão interessadas e a Hyundai Motor, que detém 70% do mercado de carros sul-coreano com sua irmã Kia Motor, expressou interesse em encontrar um parceiro estrangeiro para fazer uma oferta conjunta. O CEO da Ford, Jac Nasser, disse, numa reunião com jornalistas antes dos bancos formalmente solicitarem as ofertas, que sua companhia faria uma análise séria da Daewoo, mas que não a compraria apenas para obstruir a GM. "Nós não estamos motivados a fazer nenhuma grande extensão em razão dos que os nossos competidores fazem. Eu certamente não tentaria ajustar em nossa estratégia uma ação que é destruidora", disse Nasser. "As questões são: 'A equação do negócio está certa? As culturas estão certas?'" Se a Ford vencer o leilão da Daewoo, pode ameaçar a liderança mundial da GM no setor. A GM vende atualmente mais de 8 milhões de veículos ao redor do mundo por ano, enquanto as vendas da Ford estão abaixo dos 7 milhões. As fábricas da Daewoo Motor produziram 758.500 carros e caminhões em 1999. À primeira vista, a compra da Daewoo Motor não parece um bom negócios, já que suas dívidas somam US$ 16,3 bilhões. Mas sua aquisição traria acesso ao fechado mercado automotivos da Coréia do Sul, onde a compra de um carro doméstico é geralmente sinônimo de patriotismo. Apenas cerca de 2.300 dos 910 mil carros comprados no país no ano passado foram importados. As linhas de produção da Daewoo na costa oeste da Coréia do Sul são também as mais modernas e eficientes em termos de custos do país, e fornecerá, a um proprietário estrangeiro, um importante ponto de partida para o grande mercado chinês. A Daewoo Motor tem fábricas na China e em uma dúzia de outros países, entre eles a Índia, Vietnã, Irã, Usbequistão, Polônia e Romênia. A empresa vendeu 187.039 carros e caminhões na Polônia no ano passado, ultrapassando a Fiat e tornando-se a principal produtora de veículos no país. A quebra do conglomerado Daewoo marca uma mudança para a Coréia do Sul, um país agrícola e pobre que desenvolveu uma das maiores economias do mundo ao alimentar algumas poucas indústrias com crédito barato e proteção contra competidores estrangeiros. O império corporativo desmoronou depois que a crise asiática começou, em julho de 1997, causando declínio das compras em toda a região e deixando a Dawoo sem caixa para pagar dívidas de curto prazo. Os bancos credores dizem que irão selecionar um ou dois licitantes para a Daewoo Motor até maio e esperam fechar o negócio depois de dois ou três meses. Independentemente do resultado, o mercado automotivo da Coréia do Sul está sendo aberto à participação estrangeira. A francesa Renault já está negociando o comando da Samsung Motors, que está sob curadoria judicial, e o presidente Kim Dae-jung disse que investimentos estrangeiros são a única forma de sustentar a retomada da economia. Muitos consumidores estão dando boas vindas às mudanças, esperando que as empresas locais sejam obrigadas a baixar seus preços e a melhorar seus produtos. "Esta é a hora em que eles devem enfrentar e sobreviver à real competição e, para nós, de ter novas opções", diz Kim Bae-ho, um dos 70 mil taxistas de Seul.