GM e Fiat devem unificar áreas no Brasil13/Mar, 21:23 Por Cleide Silva São Paulo, 13 (AE) - General Motors e Fiat devem unificar a produção de motores, transmissões e fundição no Brasil, além de realizar compras conjuntas de matérias-primas e componentes. Esse será o primeiro resultado, no País, da aliança internacional anunciada hoje, em que a GM vai adquirir 20% das ações da empresa italiana. Já a Fiat ficará com 5,1% das ações da maior montadora do mundo. O negócio, avaliado em US$ 2,4 bilhões, envolve apenas troca de ações. A GM tem cinco unidades de motores, transmissão e fundição que funcionam na fábrica de São José dos Campos, no interior de São Paulo, e uma na Argentina. A Fiat concentra essas atividades em Betim (MG) e, em junho, inaugura outra unidade exclusiva de motores na mesma área, com investimentos de R$ 700 milhões. O presidente da General Motors do Brasil, Frederick Henderson, afirmou hoje que, em princípio, não haverá fechamento de unidades e nem dispensa de pessoal. "Mas não sabemos o que pode ocorrer no futuro." Ele ainda não soube avaliar a economia que a união vai proporcionar. Em termos internacionais, representará redução de custos anuais de US$ 1,2 bilhão a partir do terceiro ano de sinergia e de US$ 2 bilhões após o quinto ano informormaram John Smith e Paolo Fresco, presidentes da GM e da Fiat, respectivamente. Segundo Henderson, será criada uma nova empresa no Brasil para gerenciar os negócios. Ele acredita que o processo estará concluído em um ano. O superintendente da Fiat do Brasil, Gianni Coda, só comentará o assunto quarta-feira, quando retorna da Itália. Ele será o único representante da América do Sul no comitê internacional que identificará as áreas de cooperação dos grupos. Nota conjunta divulgada hoje nos Estados Unidos e na Itália informa que o negócio resultará na redução do custo de materiais, dará novo impulso às atividades de motores e transmissões de cada grupo e das plataformas, melhorará a eficiência aos serviços financeiros e compartilhamento de tecnologia. Henderson informou que não está previsto, no curto prazo o uso de plataformas comuns para desenvolvimento de novos projetos. "As duas marcas vão continuar competindo no mercado mundial e brasileiro." Já a produção de componentes comuns está nos planos das duas companhias. Pelo acordo, a GM terá prioridade na compra das ações restantes da Fiat, caso sejam colocadas à venda. O negócio envolve apenas a Fiat Automóveis, não incluindo, por exemplo, as marcas Ferrari e Masserati, que pertencem ao grupo italiano, e nem suas unidades de componentes. A GM brasileira, terceira no ranking do setor, produziu 275 mil veículos em 99 e vendeu, no varejo, 285,5 mil, garantindo uma participação de 22,6% do mercado. A Fiat, que ocupa a segunda posição, atrás da Volkswagen, produziu 399.846 unidades e vendeu 303.602, ficando com 25,2% do mercado total. A GM emprega 19 mil funcionários e a Fiat, 11,5 mil diretos e outros 11 mil terceirizados. Ambas têm novos projetos para o segundo semestre. A GM vai inaugurar uma fábrica de automóveis em Gravataí (RS), para produzir os modelos do projeto Blue Macaw e a Fiat inaugura uma fábrica de utilitários em conjunto com a Iveco. Os investimentos são, respectivamente, de US$ 600 milhões e US$ 500 milhões. O professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), José Roberto Ferro, avaliou que o negócio tem como um dos principais objetivos garantir a liderança da GM no mercado mundial de veículos.

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