Londrina - Um guarda municipal (GM) que portava um revólver calibre 38 por pouco não causou uma tragédia ontem de madrugada no Pronto-Atendimento Municipal (PAM). Ele derrubou a arma, que disparou e atingiu a perna dele, enquanto era atendido para tratar de uma dor de garaganta.
De acordo com o secretário de Defesa Social, Joaquim Antonio de Melo, os guardas municipais não têm permissão para portar armas e nem receberam treinamento para utilizá-las. ''Nossa orientação é para que nenhum guarda use arma, mas não podemos revistar todos diariamente. Foi uma decisão pessoal e ele terá de responder por isso'', afirmou.
A arma não havia sido entregue para a polícia até o final da tarde de ontem. Há suspeita de que outro guarda, que testemunhou o episódio, teria levado o revólver.
Ainda segundo o secretário, que não informou os nomes dos envolvidos, o outro guarda levou o ferido para o Hospital Universitário (HU). Ainda na madrugada de ontem, ele recebeu alta.
De acordo com o delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP), Manoel Pelisson, ''um investigador foi designado para fazer a perícia no local do disparo.'' ''Vamos ouvir testemunhas. Estamos aguardando a entrega de um relatório da Secretaria de Defesa Social, que também está interessada na conclusão do caso'', disse.
O episódio também será apurado pela corregedoria da Guarda Municipal. A punição mais rígida à qual os responsáveis estão sujeitos é uma suspensão de 90 dias. ''No momento os guardas foram afastados da rua e prestarão apenas serviços administrativos na sede. A principal punição deles pode vir da Justiça Comum'', afirmou. A pena para porte ilegal de arma varia de dois a quatro anos de reclusão e multa.
A Secretaria de Defesa Social pretende adquirir até o final do ano 90 pistolas .380 e realizar o treinamento dos guardas municipais. ''Estamos aguardando a aprovação do Exército. Já assinamos um convênio com a Polícia Militar, que fará o treinamento'', explicou Melo.
Instrutor de tiros há oito anos, Rangel Barbosa da Cunha explica que acidentes com armas de fogo acontecem ''por imperícia, negligência ou falha mecânica.'' ''Revólveres calibre 38 que foram fabricados antes de 1989 podem disparar sozinhos quando caem'', explicou.

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