Imagem ilustrativa da imagem GM começa oitivas de afastados por suposto desvio em Londrina
| Foto: Marcos Zanutto/16-01-2019



Os depoimentos dos guardas municipais investigados por suposto desvio de dinheiro na apreensão de R$ 860 mil, ocorrido em novembro de 2018, começaram a ser colhidos internamente pela própria GM na manhã desta quinta-feira (31). Três deles foram ouvidos e a intenção da Corregedoria é concluir até a semana que vem as oitivas dos suspeitos. A expectativa é que a investigação - que pode culminar na exoneração - seja concluída ainda no primeiro semestre deste ano.

O secretário de Defesa Social, Evaristo Kuceki, comenta que o processo transcorre por uma comissão formada por três guardas municipais com conhecimento em Direito que não possuem qualquer envolvimento ou relação com os investigados. Ao fim do processo, podem indicar a exoneração dos suspeitos. Depois, o processo segue para o secretário, que deve enviar a conclusão do processo administrativo disciplinar para o prefeito, que toma a decisão final. Ainda conforme o secretário, são várias as infrações que podem ser aplicadas, de uma repreensão ou até mesmo a demissão.

Kuceki informa que todos os guardas estão completamente afastados, respondendo ao processo administrativo disciplinar. "Como se trata de uma situação cautelar, todos continuam recebendo normalmente", explicou. O valor entregue na delegacia no dia dos fatos foi R$ 860 mil e a suspeita é de que cada um dos envolvidos teria ficado com cerca de R$ 20 mil.

Segundo o delegado William Douglas Soares, do setor de furtos e roubos da 10ª SDP (Subdivisão Policial) de Londrina, responsável pelo caso, o inquérito está em andamento. "Não ouvi todos os guardas, e os que não foram ouvidos ainda serão intimados. Pretendo concluir ainda no mês de fevereiro", afirma. Quanto aos valores envolvidos, o delegado explica que somente pode informar sobre a quantia levada à Polícia Civil. "Foram apresentados sete pacotes lacrados com anotações manuscritas que sugeririam que havia a quantia de R$ 860 mil. Em seguida, foram levados ainda lacrados ao banco, rompidos e contados em uma máquina, que totalizou R$ 857.670", relata. Quanto aos demais valores, Soares diz que, somente quando concluir o inquérito, poderá falar com mais clareza.

Para o advogado Eduardo Duarte Ferreira, que representa oito dos 15 guardas envolvidos no caso, questiona os valores citados pelas autoridades. "É a maior vergonha que eu já vi como advogado em Londrina. Até agora não se sabe o quanto (de dinheiro) havia. A GM fala que havia R$1,455 milhão. O delegado, que pegaram R$ 300 mil e sobraram R$ 860 mil, mas foram depositados em juízo R$ 857 mil. O que é mais vergonhoso é que um delator disse que perdeu a mochila que tinha a parte dele dentro", declarou.

RELEMBRE O CASO

No dia 13 de novembro, guardas municipais prenderam um homem de 22 anos, com R$ 860 mil, na rua dos Arquitetos, no jardim Cristal, zona sul. Na ocasião, segundo a denúncia, o dinheiro estava escondido em um veículo, onde também teriam sido encontradas uma pistola glock 9mm e 10 munições no banco do passageiro. Atualmente, o jovem é réu por porte ilegal de arma de fogo, mas ainda é alvo de um inquérito paralelo aberto pela Polícia Civil para investigar a suposta lavagem de dinheiro. O mesmo inquérito investiga também os GMs. Em 20 de dezembro, a Polícia Civil deflagrou uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão nas casas destes guardas.

Os GMs são suspeitos de terem se apropriado de parte da quantia apreendida. De acordo com Kuceki, que oficializou o desligamento dos agentes, 14 deles podem responder pelo crime de peculato. Os R$ 860 mil transportados teriam origem no tráfico de drogas e seriam repassados como forma de pagamento a outros traficantes.

Três guardas devolveram juntos R$ 60 mil - cada um havia embolsado R$ 20 mil. A suspeita é que havia aproximadamente R$ 1,5 milhão no veículo do rapaz, que está preso na Casa de Custódia de Londrina e tem audiência desse caso marcada para março.

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