São Paulo, 25 (AE) - Com a nova fábrica que está construindo no Rio Grande do Sul, a General Motors alcançará capacidade de produção de 600 mil veículos em todo o Mercosul a partir do final deste ano. Mas a demanda de mercado não está permitindo que a produção chegue sequer à metade deste total. No ano passado foram fabricados pela montadora 275 mil veículos, segundo o presidente da GM do Brasil, Frederick Henderson.
Mesmo assim, o Brasil ainda é uma das prioridades na estratégia da empresa e agora passou a levar mais vantagem em relação à Argentina. Henderson explicou que do investimento total de US$ 420 milhões destinado para o Mercosul este ano, 90% serão aplicados no Brasil. Além do novo carro compacto, que será produzido no Rio Grande do Sul, e da minivan Zafira, que provavelmente sairá da fábrica de São Caetano do Sul, a empresa prepara outros novos modelos, que Henderson não quis detalhar.
O presidente da General Motors disse estar frustrado com o novo adiamento do acordo para o regime automotivo do Mercosul. Por outro lado, está animado com a perspectiva sobre um acordo bilateral do setor entre Brasil e México, que deve ser negociado no início do próximo mês. A General Motors deverá exportar para o México este ano 5 mil veículos. Segundo o executivo, a marca tem entre 25% e 30% daquele mercado, que soma 600 mil veículos por ano. "O México será o primeiro alvo da recuperação dos nossos mercados de exportação", destacou.
Zafira - A General Motors vai produzir a sua primeira minivan brasileira até o final deste ano com índice de nacionalização inicial entre 70% e 75%. O modelo, já existente na Europa, chega ao Brasil para a GM conseguir participar de um segmento de mercado que começou a ser testado pela Renault, com o modelo Scénic. Henderson estima que o mercado de monovolumes poderá atingir entre 150 mil e 200 mil unidades por ano no Brasil, daqui três a cinco anos. A Zafira brasileira terá o mesmo motor do Astra.
Em Gravataí, as obras de instalação da cabine de pintura da nova fábrica estão atrasadas, segundo Henderson, porque o governo estadual ainda não concluiu o tratamento dos afluentes. A produção do novo carro, um subcompacto projetado para ser o mais barato do Brasil, começará em junho. A inauguração da fábrica está prevista para julho e o início das vendas do novo veículo, que ainda não tem nome, será em agosto. Na primeira fase, serão produzidos veículos com motor 1.0.
Economia - A maior montadora do mundo poderá manter o ritmo dos seus negócios no Brasil, sobretudo os de exportação, se a cotação do dólar se estabilizar entre R$ 1,75 e R$ 1,85, segundo Henderson. O executivo explicou que o aumento da confiança do consumidor e a perspectiva de queda de juros levam a companhia a apostar na retomada do crescimento. "Mas para isso precisamos de estabilidade", destacou.
O executivo americano lembrou que "a classe média sofreu muito em 1999". Para ele, o Brasil pode retomar o crescimento. "Mas o governo tem que fazer algumas coisas certas", destacou, apontando o controle do déficit público como uma das fórmulas. "Com isso o País ganhará confiança do investidor externo", completou. Ele disse, no entanto, que o Brasil "ainda é um pouco difícil para previsões".
O presidente da GM previu que a venda de automóveis e comerciais leves no mercado brasileiro em janeiro deverá ficar entre 90 mil e 100 mil unidades. Em dezembro, foram vendidos no varejo 108 mil veículos. Segundo o executivo, a General Motors vai esperar até fevereiro para avaliar o mercado para ajustar os níveis de produção para o ano. Ele lembrou que os primeiros meses são, tradicionalmente, atípicos.

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