Globopar vende participação em duas teles para Telecom Itália
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Jô Galazi 
Rio, 10 (AE) - A Globopar, empresa do grupo de Roberto Marinho, vendeu para a Telecom Itália (TIM, ou Stet) suas participações nas Tele Celular Sul e na Tele Nordeste Celular. As duas empresas tinham sido adquiridas por um consórcio formado pela União Globopar Bradesco (UGB) e Telecom Itália nos leilões das empresas da Telebrás, no dia 29 de julho.
O diretor executivo da Globopar, Mauro Molchansky, disse que o preço pago pelas duas teles não oferece "retorno mínimo atrativo" que justifique a permanência da empresa brasileira nestes dois negócios.
O negócio já foi fechado e a Globopar recebeu US$ 113 milhões por suas participações nas duas empresas, valor exatamente igual ao desembolsado quando dos leilões, segundo Molchanky. Ele explicou que, pelo acordo montado com a Telecom Itália, que entrou no leilões com o nome de Bitel Participações, o grupo italiano poderia definir o valor dos lances a serem dados, porém, a UGB por um período de 180 dias teria uma opção de venda das ações adquiridas nos leilões.
De fato, o ágio pago nos leilões de ambas as teles foi grande. A Telecom Itália, majoritária no consórcio e responsável pela formação do preço a ser ofertado, não queria perder para os concorrentes. Assim, o consórcio deu lance de R$ 700 milhões, então equivalentes a US$ 601 milhões, pela Tele Celular Sul Participações, preço 204% superior em reais ao valor mínimo fixado pelo governo (R$ 230 milhões).
Venceu a disputa e passou a deter a concessão para explorar telefonia celular em uma região com 14 milhões de habitantes, integrada pelos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Para a Tele Nordeste Celular Participações, o lance do consórcio situou-se em R$ 660 milhões, equivalentes a US$ 567 milhões, o que representou um ágio de 193% sobre o preço mínimo (R$ 225 milhões).
A Tele Nordeste Celular serve aos Estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí, área que contém 25 milhões de pessoas. Como todas as teles privatizadas, elas concorrem em suas áreas com as empresas de telefonia celular da banda B (privada), formadas antes dos leilões.
Presença - Molchanky disse que a decisão de sair das duas empresas de forma alguma significa que a Globopar está desistindo do setor de telefonia. Conforme esclareceu, a empresa continua firme na Maxitel, companhia de telefonia celular da banda B que atua nos Estados da Bahia, Sergipe e Minas Gerais.
A Globopar, é dona de 12% deste empreendimento, adquirido por R$ 250 milhões (ou US$ 232 milhões), valor 9% acima do mínimo, em consórcio com a mesma Telecom Itália e com o grupo Vicunha, do empresário Benjamin Steinbruch.
"Vemos este investimento como atraente em termos de retorno, considerando os investimentos feitos e os que serão necessários nos próximos anos", destacou. De acordo com o executivo, o setor de telefonia tanto continua interessando que a decisão anunciada pela Globopar de não participar da disputa pela concessão das empresas espelho que ainda restam não é definitiva. "Esta decisão pode ser revista no futuro", afirmou.


