Gleizer explica como BC vai administrar taxa de juros
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 26 (AE) - No novo regime de câmbio flutuante, o Banco Central deverá calibrar as taxas de juros considerando a diferença entre metas próprias de inflação e as previsões de institutos e do mercado. A explicação foi dada hoje à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal pelo diretor indicado para o BC, Daniel Gleizer. Ele foi aprovado por 24 votos a favor e três contra e, se confirmado em plenário na quarta-feira, ocupará a diretoria de Assuntos Internacionais.
Segundo explicou Gleizer, com o regime de flutuação livre para o câmbio, o BC terá como meta primordial a estabilidade de preços. Para isso, então, deverá ter uma meta própria de inflação. A diferença entre esta meta e as previsões de inflação baseadas em um leque de indicadores determinará o grau de ajuste da política monetária. Ou seja, as taxas de juros.
O diretor indicado destacou que os efeitos imediatos da exagerada desvalorização cambial que seguiu-se à adoção do novo regime cambial determinam a necessidade de uma política monetária austera. Isso para evitar que os reajustes de preços relativos e impactos transitórios não se propaguem na economia.
Segundo Gleizer, no regime de bandas cambiais, a política monetária brasileira era clara e simples. Uma vez que se pautava na manutenção da taxa de câmbio dentro de sua banda de flutuação. A combinação de taxas de juros e câmbio era compatível com a meta de controle da inflação. A opção da política de livre flutuação para o câmbio, segundo Gleizer, impõe a adoção de um novo regime monetário.
Sabatina - Junto com os outros quatro diretores indicados para o BC, Gleizer foi sabatinado pela CAE imediatamente após a arguição do presidente indicado para a instituição, Armínio Fraga. Enquanto Fraga ficou seis e meia respondendo aos senadores, os diretores foram questionados por menos de duas horas.
Sérgio Werlang, indicado para a diretoria de Política Econômica, destacou que, além de assegurar a estabilidade da moeda, o trabalho do BC será fazer isso ao menor custo possível. A política anterior, segundo ele, vinha garantindo esta estabilidade, mas ao custo de juros muito altos. Werlang foi aprovado por 23 votos a favor, três contra e uma abstenção.
O diretor indicado para a área de Política Monetária, Luís Fernando Figueiredo, afirmou que a mesa de câmbio será transferida para a sua diretoria. Com isso, ele terá sob o seu comando as duas principais mesas de atuação do BC uma vez que o Departamento de Mercado Aberto (Demab), onde são feitas as operações de overnight, já é subordinado à Política Monetária. "Será um avanço na eficiência da administração destes importantes mercados que formam os dois mais relevantes preços da economia", disse.
Foram aprovados ainda Luís Carlos Alvarez para Fiscalização (25 votos a favor, um contra e uma abstenção) e Edison Bernardes para a diretoria de Administração (24 votos a favor, dois contra e uma abstenção).


