Gleizer diz que global bonds mudam perfil da dívida
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domingo, 18 de abril de 1999
Por Gustavo Freire 
Brasília, 19 (AE) - O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, disse hoje que o lançamento de global bonds, com possibilidade de troca por títulos da dívida externa, permitirá a substituição de papéis de prazo mais curto por outro com período de maturação mais longo. Além disso, a emissão soberana abrirá espaço para o lançamento de bônus privados.
O diretor lembrou que um dos papéis, Elegible Interest (EI), que tem vencimento um ano depois do global bond, tem na verdade um tempo de vida menor, em função de carregar consigo a obrigação de amortizações e de pagamento de cupom. O tempo de vida deste papel, segundo Gleizer, estaria em aproximadamente 4 2 anos. O Interest Due Unpaid (IDU) tem um prazo ainda mais curto, afirmou. Ele lembrou que estes títulos viveram momentos ruins na crise e carregaram consigo o risco de default.
O diretor comentou que o lançamento também tem como objetivo abrir espaço para emissões privadas com prazo de cinco anos. "Tínhamos um hiato na curva dos papéis. É importante ter um referencial de cinco anos", afirmou. Gleizer ressaltou que esta é apenas a primeira de uma série de colocações que será feita pelo Brasil.
Gleizer minimizou os rumores de que teria ocorrido "vazamento" de informação sobre o lançamento dos global bonds da República, anunciado oficialmente na manhã de hoje. "Isso é besteira, não houve nenhum vazamento, ninguém falou sobre troca", disse o diretor, referindo-se à possibilidade de troca dos global bonds por dois tipos de títulos da dívida externa, o IDU e o EI.
Ele também ressaltou que a elevação da cotação dos bradies brasileiros, verificada na sexta-feira passada, refletiu um movimento generalizado de elevação dos bradies de vários países. Ele também comentou que essa elevação dos bradies já vem se verificando ao longo dos últimos dias. "Isso não é uma coisa de sexta-feira, vem acontecendo há mais tempo", afirmou.


