Gleizer diz que explosão do dólar não é razão para mudar política econômica
Brasília, 19 (AE) - O diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Daniel Gleizer, disse hoje que a atual alta da cotação do dólar não é motivo para que o BC mude sua política monetária. Para ele, a volatilidade do mercado não afetará a inflação no longo prazo. "Sabemos que o repasse do câmbio para a inflação é muito pequeno", disse. O diretor lembrou que o próprio ganho de produtividade das empresas dificulta o repasse.
Gleizer afirmou que a oscilação do dólar no mercado de câmbio doméstico está dentro do esperado, tendo em vista a forte concentração de vencimentos de compromissos externos neste mês. Ele informou que em outubro muitas empresas têm compromissos a pagar no exterior.
Comentando o fato de a cotação ter passado de R$ 2,00, Gleizer afirmou que o "BC não tem nenhum número mágico para a taxa de câmbio" e que ela é fixada pelo mercado.
Emissão - O diretor do BC disse que o Brasil provavelmente fará nova emissão de títulos no mercado internacional ainda este ano. "Como eu sempre digo, isso vai depender das condições de mercado; vamos avaliar e, se houver oportunidade, faremos nova emissão", afirmou. Como em outras oportunidades, ele não especificou que tipo de operação seria feita e nem mesmo em que mercado o Brasil faria uma nova emissão. De acordo com o diretor do BC, todas as possibilidades neste momento estão em aberto.
Em relação à emissão de títulos no valor de US$ 2 bilhões, concluída hoje, o diretor enfatizou que a operação não servirá para o estabelecimento de um benchmark, que balize novas emissões de empresas brasileiras no mercado de dólar norte-americano. "O mercado sabe diferenciar o que é uma emissão com cash (dinheiro) do que é uma operação de troca de títulos", disse. O Brasil trocou os títulos novos por "bradies" (títulos emitidos durante a renegociação da dívida externa) no valor de aproximadamente US$ 2,9 bilhões.
Os novos títulos foram emitidos com rendimento de 850 pontos básicos acima do título do tesouro americano de prazo equivalente, o que equivale a 14,61% ao ano, com cupom de 14,5% ao ano. Gleizer admitiu que o cupom foi alto, mas disse que a operação propiciou ganhos ao Brasil uma vez que houve uma redução do estoque da dívida externa junto aos credores privados internacionais. "Eu ia deixar de fazer uma operação que propiciou ganhos para o Brasil em termos de redução de sua dívida só porque o spread estava em 850?", perguntou. Ele mesmo respondeu: "Não, os benefícios são claros", afirmou .
Ele disse que a operação concluída hoje resultará numa redução de US$ 900 milhões na dívida brasileria e ainda a liberação de aproximadamente US$ 520 milhões em garantias em títulos do Tesouro norte-americano, que estavam depositadas junto ao BIS. Essas garantias serão liberadas na próxima segunda-feira. Gleizer lembrou que a operação embutiu em si mesma um ganho financeiro da ordem de US$ 205 milhões, na medida em que propiciou um balanceamento melhor do fluxo de caixa do País. O diretor afirmou que os global lançados ontem têm apenas uma amortização no prazo final de vencimento, que é de 15 de outubro de 2009. Já os Bradies trocados têm várias amortizações ao longo do tempo.





