Ginecologistas são campeões de assédio sexual
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terça-feira, 13 de julho de 2004
Leonêncio Nossa<br>Agência Estado 
Brasília, DF- Uma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) levantou o perfil do médico que comete assédio sexual nos consultórios do País. Na maioria dos casos, o agressor é ginecologista, homem, tem entre 50 e 59 anos e trabalha na rede privada de saúde.
Após analisar 403 denúncias de assédio feitas ao Conselho Federal de Medicina (CFM), o médico e professor da UnB Júlio Cézar Meirelles concluiu, em uma tese de mestrado, que esse comportamento ocorre e se repete principalmente por causa de transtorno de personalidade, um abuso comparado à parafilia, como são classificadas condutas bizarras como pedofilia e voyeurismo.
O CFM informou oficialmente que de 1989 a 2003 cassou o registro de seis médicos que, comprovadamente, se envolveram em casos de assédio sexual. A pesquisa de Meirelles foi feita entre 1997 a 2001. O CFM lembrou ainda que a pesquisa de Meirelles se baseou em denúncias, o que é diferente de casos comprovados.
Não é só ginecologistas que assediam pacientes. O levantamento analisou ainda casos de assédio envolvendo profissionais de clínica médica, ortopedia e traumatologia, psiquiatria, cirurgia plástica, pediatria, anestesiologia, medicina do trabalho, neurologia, oftalmologia e cardiologia.
O autor da tese explicou que o maior número de assédios ocorre nos consultórios de ginecologia, obviamente pelo fato de ser o local onde a mulher precisa se despir. Júlio Cézar Meirelles considerou inquietante que psiquiatras apareçam na lista. ''A rigor, no âmbito da psiquiatria, há um acervo de vinculações emocionais e relacionamentos extraprofissionais bem acima da expectativa e que concorrem para uma relação anômala'', destacou Meirelles em sua tese de mestrado.
O professor avaliou que a maioria dos denunciados se sente ''dona da
verdade'', tem uma posição social e financeira sólida, se acha fora do alcance da Justiça e vive um casamento desgastado. A tese constatou que em 15,6% dos casos houve reincidência.
Meirelles destacou ainda que apenas 4,2% dos denunciados foram condenados.


