A pílula do dia seguinte não é um método abortivo. Quem garante é o ginecologista e obstetra Dalmo Borges Ramos Júnior. Ele explica que o medicamento age como um bloqueador da fecundação porque impede a ascenção do espermatozóide através da cavidade endometrial (tecido que forra o útero). ''Ela torna o endométrio hostil à ascenção do espermatozóide'', ensinou.
Ele ressaltou que outros métodos impedem a ação da progesterona. Nestes casos, a gravidez, segundo ele, é abortada. ''A pílula do dia seguinte não é abortiva em hipótese alguma. Isto é fato. Não há polêmica a respeito disso'', destacou. A pílula do dia seguinte só funciona se for ingerida até no máximo 72 horas após o sexo. É preciso tomar duas pílulas num intervalo de 12 horas. Quanto mais cedo, melhor, pois dá tempo de elas impedirem que o espermatozóide fecunde o óvulo. Caso isso já tenha ocorrido antes da ingestão das pílulas, elas fazem com que o óvulo não consiga ser implantado no útero, o que impede a gravidez.
Já o padre José Rafael Solano Duran e o médico Paulo Talizin consideram a pílula um método abortivo. ''Acredito que interrompe a gravidez porque quando a semente masculina se une com a feminina já existe uma vida'', afirmou Talizin. A opinião é compartilhada por Duran. ''Desde o momento da concepção existe um ser humano em processo. Não é aceitável atacar um ser humano que não tem voz nem vez para se defender. Este não é um problema científico, mas que se relaciona ao ente, já que existe uma pessoa em formação'', resumiu. (F.R.F.)

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