Ginásio lotado foi palco de comemorações
Entidades como a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Projeto de Educação do Assalariado Rural Temporário (Peart), consideraram a suspensão da audiência pública uma vitória das comunidades que poderão ser atingidas. Já entre alguns agricultores e a prefeita reeleita de São Jerônimo da Serra, Maria Luiza Coppla (PFL), a suspensão gerou revolta.
Coppla disse que a prefeitura tem muito interesse pela obra. Todas as negociações serão feitas antes do início das obras e acreditamos nos benefícios para o município, disse. A prefeita criticou a posição da igreja católica local, que apoiou a suspensão e estaria usando a religião com finalidades políticas.
Sobre os riscos de aumento da criminalidade e prostituição, por exemplo, que poderiam vir junto com a obra da barragem, Coppla afirmou que isso é (um problema) do mundo, e que pode ser impedidos com investimentos em educação e orientação da população.
O agricultor José Hélio Alves, que terá 20 alqueires de sua propriedade (com área total de 95 alqueires) alagados com a construção da barragem, reclamou que tiraram o direito do debate e que essa era uma das únicas chances do município voltar a crescer. Ele informou que a Copel, até agora, não estipulou valor para indenização, mas espera receber pelo valor real.
O presidente da Associação Brasileira de Defesa e Recuperação do Meio Ambiente (Ademavi), Vanderlei Parma, frisou que a comunidade não tem nenhuma garantia de que as benfeitorias (anunciadas) serão feitas. Segundo ele, a suspensão foi primordial porque a sociedade precisa ser melhor informada sobre a obra.
A analista de projetos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Dayse Souto, que esteve ontem em São Jerônimo, lamentou a suspensão da audiência pública. Por outro lado, ela adiantou que é possível que a obra seja alvo de licitação ainda este ano.
A Aneel responde pela aprovação dos estudos de viabilidade técnica e econômica do projeto e tem como missão suprir as necessidades quanto ao fornecimento de energia elétrica junto à sociedade. A Agência, como explica Souto, age como intermediadora entre o anseio da sociedade e o objetivo do empreendedor, buscando o equilíbrio entre as partes. (L.A.)





