Uma camiseta que pode valer R$ 400 mil. Essa foi a contribuição do atacante Gilberto Amaury de Godoy Filho, 27 anos, o Giba, da seleção brasileira de vôlei masculino para o Hospital Erasto Gaertner, de Curitiba. O medalhista de ouro nas Olimpíadas de Atenas esteve ontem na instituição, que é referência no tratamento do câncer, para fazer a doação e foi recebido com muita festa por pacientes da ala pediátrica e corpo clínico. Sua mulher, a também jogadora de vôlei, Cristina Pirv, e a filha do casal, Nicoll, com 16 dias de vida, acompanharam Giba no evento.
A camiseta do ouro olímpico será o atrativo de uma campanha que o hospital irá realizar para arrecadar recursos para a ampliação do setor de transplante de medula óssea, explicou o presidente da Liga Paranaense de Combate ao Câncer mantenedora do hospital , Luiz Antônio Negrão Dias. O transplante é a única esperança de cura para muitos portadores de leucemia. A ala será ampliada de dois para 12 leitos. O responsável pela maior doação será o dono da camiseta, que traz a dedicatória: ''Com enorme carinho, um beijo no coração de todos''. A expectativa é arrecadar, pelo menos, R$ 400 mil.
A próxima metas da Liga, adiantou Dias, é concluir a construção de outros três andares do mesmo prédio, que abrigará o novo setor de transplante de medula óssea. A entidade também planeja construir um outro prédio de 10 andares.
A visita de Giba ao Erasto Gaertner foi uma promessa feita pelo atacante antes do nascimento de sua filha Nicoll. E não foi por acaso que ele escolheu o hospital. O jogador já sentiu na pele o que é ser portador de leucemia. A única lembrança que ficou da doença, contou Giba, foram as agulhadas no pescoço para tirar sangue, entre os 4 e 5 anos de idade, quando os exames eram feitos mensalmente.
Emocionado com a forma como foi recebido no hospital, Giba, emocionado, interrompeu o discurso várias vezes. ''Primeiro, vocês têm que acreditar em vocês mesmas. Acreditar que vão ficar boas e ter fé em Deus porque aqui dentro vocês estão bem assessoradas'', disse para as crianças internadas. Minutos antes do discurso, o atleta distribui abraços, beijos e autógrafos. Muito aplaudido, ele comentou: ''Quem merece aplauso é quem está aqui dentro salvando vidas 24 horas por dia''.
Mesmo contrariada por não gostar de lembrança, a mãe do atleta, Solange Santamaria Paglia, contou que Giba ficou doente aos quatro meses. Os médicos esconderam dela que se tratava de leucemia. Ela só soube da doença, quando o filho estava com 10 meses. Giba conseguiu vencer a doença com medicamentos.
O Hospital Erasto Gaertner, segundo Dias, atende perto de 200 mil pacientes por ano. Cerca de 89% deles são do Sistema Único de Saúde (SUS). Somente na pediatria, o hospital recebeu, em 2003, 224 novos pacientes: 35% desse total eram portadores de leucemia.
Levantamento do hospital sobre os casos pediátricos atendidos entre 1990 e 1999 mostrou que, entre os 330 pacientes do sexo masculino, a chance de sobrevida foi de 47,5% e, entre os 214 pacientes do sexo feminino, a taxa foi de 51,8%. Já nos casos em adolescentes, no período, a taxa de sobrevida ficou em 45% entre 122 pacientes masculinos e em 46,3% entre os 108 pacientes femininos.

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