Giannetti garante superávit comercial todos os meses2/Mar, 18:49 Por Vânia Cristino Brasília, 02 (AE) - O novo secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Roberto Giannetti da Fonseca, previu hoje, logo após a solenidade de posse no Ministério do Desenvolvimento, que a balança comercial brasileira apresentará saldos positivos em todos os meses deste ano. "Vamos ficar no azul daqui para a frente o ano todo", disse Giannetti. Ele disse que o superávit de R$ 5 bilhões da balança comercial, estimado para este ano, se dará basicamente em cima do crescimento das vendas dos manufaturados. O novo dirigente da Camex afirmou que as exportações crescerão entre 15% e 20% no ano 2.000, enquanto que o crescimento das importações deverá ficar entre 3% e 6%. Para incrementar as exportações brasileiras e, com isso, sustentar parte do déficit estrutural da balança de serviços, Giannetti defendeu a criação de um Fundo de Investimento para Empresas Exportadoras, com suporte de fundos de investimentos privados e fundos de pensão, possivelmente sob a coordenação do BNDESPar. Este fundo será destinado à capitalização das empresas exportadoras. Na avaliação do secretário-executivo da Camex, as empresas exportadoras brasileiras estão subcapitalizadas, o que as torna frágeis do ponto de vista de acesso ao crédito, muitas vezes escasso, inacessível e caro. "O custo do capital é a mais séria desvantagem competitiva da economia brasileira", diagnosticou Giannetti em seu discurso. Daí porque ele defendeu a capitalização das empresas para aumentar a capacidade produtiva, os índices de produtividade e a qualidade da produção. Tendo sempre ao lado o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, Giannetti afirmou seu apoio irrestrito à proposta apresentada pela Associação dos Exportadores Brasileiros (AEB) para a criação de um Fundo Autônomo de Financiamento à Exportação (Fafex), que deverá contar com recursos específicos derivados de impostos e taxas regulatórias de importação. Segundo Giannetti, é preciso aprimorar os mecanismos de financiamento pré e pós embarque, seja na forma de acesso e disponibilidade, seja na condição competitiva em termos de prazo e custo. Daí porque ele defendeu a desvinculação dos recursos para o financiamento das exportações do Orçamento Geral da União. "O Proex precisa ganhar autonomia", disse. Segundo ele o Proex conta hoje com poucos recursos, insuficientes para atender minimamente a demanda do setor. "O financiamento à exportação não pode ficar eternamente e exclusivamente subordinado ao orçamento", avaliou. Na busca por mais recursos para incentivar o setor exportador, o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, informou que já conversou com o ministro da Fazenda, Pedro Malan sobre a transferência do Imposto de Importação para a Câmara de Comércio Exterior. Tápias argumentou que os impostos de importação e exportação, hoje vinculados à Receita Federal, não têm natureza fiscal porque são impostos regulatórios do comércio exterior. Segundo Tápias, Malan não deu qualquer resposta. Na dupla cerimônia de posse dos titulares da Camex e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ficou bastante evidenciada a diferença de estilo dos dois mais novos assessores do ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias. Enquanto Giannetti fez uma ampla exposição sobre as ações que deverão ser implementadas pelo governo para o incremento das exportações, o novo presidente do BNDES, Francisco Gros, apenas agradeceu a escolha do seu nome e afirmou que voltava entusiasmado ao BNDES. "Farei o pronunciamento no Rio, durante a solenidade de transmissão de cargo", disse Gros. O ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápidas, pediu desculpas pela data escolhida para a solenidade que, por ser véspera de Carnaval, impediu a presença de muitos políticos, autoridades e empresários em Brasília. "Estamos atendendo a uma ansiedade do Presidente da República", alegou. De acordo com Tápias o presidente pediu que não houvesse protelações e que adiar as posses para depois do carnaval significaria duas semanas de vácuo de poder em órgãos essenciais. "As diretrizes e metas do BNDES e da Camex já estão definidas pelo presidente" disse Tápias. Segundo o ministro não há o que discutir. A hora é de trabalhar.