Gianetti diz que valorização do real favorece importação
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domingo, 19 de março de 2000
Por Isabel Dias de Aguiar 
São Paulo, 20 (AE) - A valorização do real estimulou as importações e prejudicou o resultado da balança comercial na terceira semana de março, mas isso não deve ser interpretado com um fato negativo, afirmou hoje, em São Paulo, o secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Roberto Gianetti da Fonseca. As exportações de manufaturados, segundo ressaltou, continuam crescendo. Para ele, dentro de duas ou três semanas o resultado deverá inverter-se com a aceleração dos embarques de produtos agrícolas para o exterior.
"Estou um pouco preocupado com o atraso da colheita da safra na Região Centro-Sul, mas isso é só uma questão de tempo"
afirmou. O secretário-executivo da Camex acredita que o resultado da balança comercial seria positivo, se a produção agrícola tivesse seguido seu curso. Com a estiagem no segundo semestre de 1999, o plantio foi retardado e a comercialização dos produtos agrícolas está sendo iniciada só agora.
O resultado anunciado hoje não muda a previsão oficial de superávit comercial de US$ 5 bilhões este ano. O resultado, segundo Gianetti, deverá ser alcançado sem prejuízo das importações. Segundo afirmou, as importações são importantes para a economia brasileira tanto quanto as exportações.
Gianetti, que participou de um seminário sobre comércio exterior, explicou que o superávit comercial proporciona autonomia ao País, acelera o crescimento econômico e ajuda a criar empregos. "É o elemento-chave para o desenvolvimento."
A aceleração das exportações depende de criatividade, uma vez que os recursos são escassos e é preciso encontrar mecanismos para o financiamento da produção e das vendas externas.
O secretário da Camex propôs a criação de um fundo de investimento com a participação do setor privado, o Invex. Para Gianetti, o novo fundo poderá entrar em funcionamento em meados do ano. Não deverão faltar interessados em aplicar no Invex, acredita, já que as exportações de produtos brasileiros tornaram-se um bom negócio e poderão oferecer retorno entre 15% e 20%, com elevada liquidez.
A pauta de produtos brasileiros, porém, precisa ser remodelada, porque está envelhecida. O comércio mundial deverá crescer 7% este ano, mas há produtos mais dinâmicos, cuja procura deverá crescer 15%, ou mais. Entre esses, as frutas, por exemplo, cujas exportações estão sendo dificultadas pela falta de aeroportos alfandegados nas capitais do Nordeste.


