Gestar bebê sem cérebro é tortura, afirma antropóloga
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quinta-feira, 15 de julho de 2004
Agência Brasil 
Brasília, DF- ''Nós não temos anencéfalos entre nós. Chamar de criança alguém que vive por sete minutos é uma tortura para as mães. O que essas mulheres precisam é de conforto espiritual neste momento'', disse Débora Diniz, doutora em Antropologia e pós-doutora em Bioética, ontem, durante o programa ''Diálogo Brasil'', da TV Nacional, nos estúdios da TV Cultura, em São Paulo. Segundo ela, nenhuma mulher das que acompanhou teria se arrependido de interromper a gravidez neste caso.
''Apesar da malformação, trata-se de um ser humano. Entendemos que o feto anencefálico não tem condições de sobrevivência fora do útero materno, mas se trata de um ser vivo'', disse Dom Odilo Sherer, secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), durante o debate sobre a decisão do Superior Tribunal Federal de liberar a interrupção da gravidez nesses casos.
Já o ginecologista e deputado federal José Pinotti, que também participou do programa, informou que de cada mil partos, um é anencefálico. Mas acrescentou que as estatísticas não são seguras, porque ocorrem abortos durante o período de gestação. A causa da doença, segundo ele, está relacionada à falta de ácido fólico, ocorrendo em pessoas que sofrem de desnutrição ou não se alimentam adequadamente.


