Belo Horizonte, 4 (AE)- O ex-governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), classificou a atual gestão de seu sucessor, Itamar Franco, como uma política de "retaliação baseada no ódio e na raiva." Em entrevista à rádio CBN agora pela manha, o ex-governador mineiro acusou Itamar Franco de manter um conflito com o governo federal com conotações muito pessoais. "Infelizmente é o que estamos vendo em Minas", disse o ex-governador tucano.
Para Azeredo, toda esta discussão com o governo federal tem um único objetivo, a campanha presidencial de Itamar Franco. "Infelizmente nestes últimos quatro meses Minas Gerais viveu apenas um período de brigas, de discussões, não houve efetivamente um programa de governo, um programa de trabalho." Azeredo disse não poder aceitar as acusações que tem sofrido contra sua administração. O ex-governador assumiu que não deixou dinheiro em caixa par efetuar o pagamento do 13o. salário de 1998 mas justificou afirmando que em outros governos isto também já havia acontecido. "Aqui mesmo em Minas isto já havia acontecido anteriormente, quando o governador Hélio Garcia assumiu o governo em 1991. Mas governo é assim mesmo você tem que assumir os ônus e os bônus", disse. O ex-governador defendeu mais uma vez a renegociação da dívida mobiliária do Estado junto à União. "Foi uma negociação positiva", insistiu Azeredo, lembrando que antes da renegociação com o governo federal o estado pagava juros de mercado e agora paga juros de 7 5% ao ano. "Apenas com esta diferença de juros Minas Gerais já economizou R$ 5 bilhões neste período que passou a vigorar a renegociação", disse. O contrato com a União entrou em vigor em março de 1996. Os pagamentos foram interrompidos em janeiro, quando o governador Itamar Franco decretou a moratória destes pagamentos.
Azeredo aproveitou para mais uma vez criticar o atual vice-governador Newton Cardoso. "Quarenta porcento da dívida mobiliária de Minas Gerais foi criada apenas nos anos de 1987 e 1988, quando o atual vice era governador", disse. Azeredo lembra que o volume da dívida cresceu em decorrência dos juros altos da política econômica. "A própria procuradora do Estado (Mizabel Derci) foi à Assembléia Legislativa e reconheceu: a dívida não foi feita pelo governador Azeredo", defendeu-se.

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