Gestantes do Sul farão teste gratuito para detectar HIV
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quinta-feira, 12 de julho de 2001
Israel Reinstein De Curitiba 
As gestantes da região Sul do Brasil poderão realizar testes para detectar o vírus HIV gratuitamente. O Ministério de Saúde está disponibilizando R$ 5 milhões para combater o avanço da doença na região. O procedimento segue os moldes do trabalho realizado em Curitiba há dois anos. No Paraná, desde o começo do ano, a Secretaria de Saúde vem realizando os testes nos pré-natais.
O governo federal espera, com essa medida, diminuir o número de recém-nascidos infectados pelo HIV. Dados do ministério indicam que a transmissão vertical (de mãe para o bebê) vem crescendo constante, com média de 30% ao ano desde 1993. No Paraná, não existem números isolados sobre o total de recém-nascidos portadores do vírus. Mas os dados levantados no ano passado mostram que que há quase duas mil crianças (de zero a 13 anos) soropositivas. Em Curitiba, durante o ano de 2000, foram computadas 221 gestantes infectadas e 70 crianças com Aids.
As novas regras são uma maneira de diminuir a transmissão vertical, avalia Olga Laura Giraldi Peterlini, chefe do Setor de Controle de Doenças e Agravos, da Secretaria de Saúde. Segundo ela, a descoberta da presença do vírus durante a gravidez evita que bebês sejam contaminados. O coordenador do programa municipal Mãe Curitibana, Edvin Javier Jimenez, explicou que a possibilidade do recém-nascido contrair Aids cai para até 98%, quando medicado no momento certo.
Jimenez explicou que entre 30% a 40% das gestantes com Aids transmitem a doença aos filhos. Quando se começa a dar o coquetel contra a doença, a possibilidade do bebê ser infectado cai para 8%. E, depois, quando se realiza cuidados na hora do parto (como a opção da cesária no lugar do parto normal), o risco da transmissão cai para próximo de 2%. Em Curitiba, o índice é de 2,9%.
Toni Reis, presidente do Grupo Dignidade, que dá apoio aos portadores de Aids, adverte que é preciso dar retaguarda às mães soropositivas. Segundo ele, é preciso sensibilizar os médicos e equipes de saúde. Além disso, deve-se preparar grupos de apoio psicológico para mães e disponibilizar medicamentos para serem distribuídos às mulheres e crianças.
Reis revelou que recentemente uma gestante foi denunciada na delegacia de Goioerê por colocar a vida de um médico em risco. Ela tinha Aids e não avisou o médico. E o caso acabou na Polícia Civil. Imagine o que pode acontecer em outras cidades do interior quando começar a pipocar resultados positivos de HIV, alerta Reis.


