Geriatra defende vida intensa e com qualidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de setembro de 2007
Fabiana Caso<br>Agência Estado 
Viver por muito tempo, e com qualidade de vida, todo mundo quer. Ainda mais hoje, quando as faixas etárias já não determinam padrões de comportamento: há jovens senhores e senhoras andando de motocicleta, namorando e viajando pelo mundo afora. As respostas do geriatra Renato Maia Guimarães sobre a almejada longevidade aparecem no recém-lançado livro ''Decida Você Como e Quanto Viver'' (Editora Saúde & Letras). Ele defende que 50% dos fatores para a vida longa são determinados por hábitos, crenças e valores. A porcentagem de 30% seria determinada pela genética, e 20%, por fatores históricos e condições político-sociais.
O autor compara a saúde a uma conta de investimento: dependendo dos saques feitos ao longo da vida, pode-se conseguir mais (ou menos) anos de vida. Natural de Uberlândia, Minas Gerais, Renato é mestre em Ciências da Saúde. Estudou na Inglaterra e concluiu seu mestrado no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, onde foi responsável pelo primeiro programa de promoção de saúde no envelhecimento. No Hospital Universitário de Brasília, criou o primeiro ambulatório público de Medicina Geriátrica do Distrito Federal. Depois, implantou o Centro de Medicina do Idoso no mesmo local, do qual é coordenador.
Aos 55 anos, Renato Maia é casado, tem duas filhas e mora na capital federal. Diz que a velhice traz uma queda no aspecto orgânico, mas, por outro lado, motiva o crescimento emocional e cultural. Ele defende que não há um modelo genérico para todos. E ressalta: o que mais vale é a felicidade. ''Há alguns prazeres imediatos que podem reduzir a longevidade e é preciso pensar se eles valem a pena.'' Mas, ao mesmo tempo, lembra a história de excessos físicos e sentimentais de homens como o poeta Vinícius de Moraes, que, apesar de ter morrido aos 67 anos, viveu intensamente. ''Mais do que quantidade, o que importa é a qualidade da vida que se tem.''


