São Paulo, 08 (AE) - O gerente de vendas Sebastião José Rodrigues, de 31 anos, que mandou cortar o antebraço esquerdo, um pouco abaixo do cotovelo, para receber três apólices de seguro de quase R$ 900 mil, lamentou hoje, no Hospital Ipiranga, onde está internado, a descoberta do plano. "Estou ferrado porque vou ficar sem a mão, não vou receber o dinheiro e ainda vou ser processado."
Os bombeiros procuraram no Rio Tamanduateí, na Avenida do Estado, durante a madrugada e parte da manhã de hoje, um saco de estopa onde estariam o antebraço e a machadinha usada na mutilação. Segundo ele, depois do corte, enquanto sua mulher, Cláudia dos Santos, de 26 anos, ligava para o resgate da Polícia Militar, o amigo Antônio Elisvânio Severino da Silva, o Lilico, de 28, seguia para o Tamanduateí.
Rodrigues está fora de perigo. Em poucos dias poderá receber alta. Ele foi indiciado por falsa comunicação de crime e também por tentativa de estelionato. Pelos crimes poderá ser condenado a até 2 anos. O mesmo ocorre com a mulher. Já a situação de Lilico é mais grave. Ele foi indiciado por lesão corporal dolosa e a pena é de 2 a 6 anos de prisão. Em 1993 Cláudia foi processada por estelionato. Fez compras com as 20 folhas de um talão de cheques e depois comunicou a polícia que fora roubada.
O gerente e a mulher informaram à polícia que foram vítimas de sequestro relâmpago e haviam sido atacados na saída de um caixa eletrônico. A história não convenceu os policiais e o casal acabou contando a verdade. "Eu tinha tudo planejado, ia ficar sem a mão, mas aproveitar a vida com o dinheiro do seguro e viver com a minha mulher numa praia do Nordeste."
Contou não se ter inspirado em filme ou livro. Começou a pensar em como ganhar "uma grana" do seguro no começo do ano. Em março, acertou com o Banco Itaú as duas primeiras apólices de seguro. No dia 30 de agosto, a terceira. Rodrigues afirmou que Cláudia, ao ser consultada, não concordou. "Ela disse que faria qualquer coisa por mim, mas não admitia que eu levasse esse plano adiante."
Suicídio - O gerente pensou em pegar seu Fiat Uno e entrar embaixo de um caminhão para simular um acidente. "Pensei em acabar com a vida dessa maneira e deixar o seguro para ela, mas achei que a Cláudia iria viver numa boa, gastar toda a grana e resolvi aproveitar também." Para completar o plano, procurou Lilico. Ofereceu R$ 300,00 e o empréstimo do Uno por três meses. "Ele topou e no domingo passado combinamos tudo lá em casa." Rodrigues disse ter pago R$ 23,00 pela machadinha. "Saímos de casa e na praça (Domingos Barbosa, Vila Leme, zona leste), o Lilico deu o golpe com o machado em cima de uma pedra."
O gerente disse que estava tão envolvido no que iria fazer que não pensou em tomar uma bebida ou mesmo um sedativo. "Só fechei os olhos, suportei e mandei depois a Cláudia chamar o resgate."

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