São Paulo, 06 (AE) - O gerente de vendas Sebastião José Rodrigues, de 31 anos, teve a mão e parte do antebraço esquerdos decepados ontem (05) à noite, após ser vítima de sequestro relâmpago, na água Rasa, zona leste de São Paulo . Rodrigues estava com a mulher, Cláudia dos Santos, de 26 anos, grávida de cinco meses. Do casal foram roubados R$ 820,00.
Horas após o ocorrido, a hipótese de assalto foi praticamente descartada pela polícia. A polícia acreita que o motivo do crime foi vingança por causa de dívidas . A Digivox, empresa que o gerente comandava sozinho havia seis meses, e da qual é sócio há dois anos e meio, tem dívidas de R$ 700 mil. Havia um mês, ele recebia ameaças de morte.
Por volta das 23 horas o casal procurava uma padaria, pois Cláudia queria tomar um sorvete. No meio do trajeto, foi abordado por três homens que estavam em um Escort preto. Após ficar cerca de uma hora e meia como reféns, os dois foram separados. Rodrigues foi levado para o meio da Praça Domingos Barbosa e Cláudia ficou perto do carro. Ela escutou um forte barulho e, pensando que o marido havia sido assassinado, passou mal. "Um dos assaltantes chegou a dizer que deveria me matar, mas dois falaram que não, pois eu estava grávida", contou Cláudia.
Após a fuga dos criminosos, Rodrigues apareceu com o braço ensanguentado e enrolado na blusa e foi levado pelos bombeiros para o Hospital do Ipiranga, onde passou por cirurgia e continuava internado até a noite de hoje. A mão dele não havia sido localizada pela polícia. De acordo com o chefe do setor de Ortopedia, Luís Carlos Porto, o estado de Rodrigues é estável. "A arma utilizada era muito forte, pois o corte foi feito num único golpe", disse o médico.
Apuração - A polícia chegou a pensar que se tratava de mais um assalto. Mas após saber da dívida da empresa e das ameaças feitas a Rodrigues, deu novo rumo às investigações. "É estranho assaltantes andarem com um machado no carro", disse o delegado do Grupo de Apoio e Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), Osvaldo Nico Gonçalves. "Um funcionário da empresa onde ele trabalhava informou que haviam recebido ligações afirmando que iriam picá-lo."
A investigação está a cargo de policiais do Departamento de Investigações sobre Crimes Patrimoniais (Depatri) e da 5.ª Delegacia Seccional (Leste). Informações contraditórias estão sendo apuradas. Cláudia afirmou ter sacado R$ 20,00 de um caixa eletrônico, antes do ataque, o que não ocorreu, segundo a polícia, que estranha o fato de ela sair de casa com R$ 800,00 e querer tirar mais R$ 20,00. "Era um risco desnecessário", afirmou Gonçalves.
Rodrigues tornou-se sócio da Digivox quando o dono morreu, assassinado. Há 20 dias, dispensou os funcionários. "Ele (Rodrigues) era muito amigo do meu marido e assumiu a sociedade comigo", disse a proprietária Márcia Marinho Imperador. "Sabia que havia dívidas, mas ele jurava que não era nada sério", revelou. "Em julho, desviou R$ 30 mil, possivelmente na intenção de pagar essas dívidas."

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