São Paulo, 07 (AE) - O gerente de vendas Sebastião José Rodrigues, de 31 anos, confessou hoje, no Hospital do Ipiranga, em São Paulo, ter planejado o corte de sua mão e parte do antebraço esquerdos para receber o seguro de três apólices por acidente no valor de R$ 900 mil. A confissão foi feita ao delegado Osvaldo Nico Gonçalves, do Departamento de Investigações Sobre Crimes Patrimoniais (Depatri), que chefia a apuração do caso. Rodrigues e sua mulher , Cláudia dos Santos, de 26 anos, grávida de cinco meses, haviam contado à polícia ter sido vítimas de um sequestro relâmpago.
A mutilação aconteceu na praça Domingos Barbosa, na zona Leste de São Paulo. Um amigo do gerente, conhecido como Lilico, preso hoje à noite, no Jardim Cliper, foi o encarregado de cortar o braço com a machadinha e dar sumiço aos dois. - mão e machado."Paguei a ele R$ 300,00 e esperava receber o seguro, que chega quase a R$ 1 milhão", disse Rodrigues ao policial. Ele contou ter feito o plano há dois meses.
O gerente decidiu pela mutilação por encontrar-se em dificuldade financeira e estar devendo quase R$ 1 milhão. "Minha mulher era contra e eu disse a ela que se não cortasse a mão iria jogar meu carro embaixo de uma carreta e acabar com a vida."
A polícia desconfiou de Rodrigues depois do depoimento da mulher dele . As explicações de Cláudia sobre a saída de casa
tarde da noite, para tomar sorvete, o saque de R$ 20,00 no caixa eletrônico tendo na bolsa mais de R$ 800,00 não convenceram o delegado. A certeza de que se tratava de automutilação veio de madrugada.
O delegado foi ao hospital pouco depois das 2 horas. Pediu aos médicos para conversar com Rodrigues."Disse a ele que estava atrás da mão para um reimplante, que iria ajudá-lo, ele engasgou e começou a chorar", revelou o delegado.Depois, Gonçalves e seu colega, o delegado Marcos Ricardo Parra, foram para o escritório de Rodrigues e encontraram as apólices de seguro por acidente. Cada uma no valor de R$ 300 mil.
Hoje à tarde Gonçalves voltou ao hospital e falou novamente com Rodrigues. Disse a ele que tinha feito o trajeto da casa até a praça com sua mulher e ela não o convencera, pois contara história diferente." Depois da conversa, Rodrigues resolveu confessar, apontou o amigo Lilico e o bairro onde ele mora."

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