São Paulo, 4 (AE) - A Gerdau anunciou hoje a assinatura de uma carta de intenção para para adquirir, por meio das suas subsidiárias no exterior, 75% das ações da Ameristeel Corporation, a 2ª maior produtora de vergalhões dos Estados Unidos. A participação, atualmente, é da empresa japonesa Kyoei Steel Ltd, de Osaka.
A transferência das ações deve ocorrer nos próximos 60 dias, após concluído o processo de auditoria de avaliação da Ameristeel. As ações remanescentes ficarão divididas entre a própria Kyoei, investidores institucionais e executivos e empregados da empresa.
A montagem financeira que está sendo realizada pela Gerdau prevê a utilização de recursos próprios e financiamentos concedidos por bancos internacionais.
A Ameristeel, com administração sediada em Tampa, na Flórida, é formada por quatro usinas siderúrgicas instaladas nos estados da Florida, Tennessee (duas) e Carolina do Norte. As usinas estão equipadas com fornos elétricos e laminadores contínuos, de alta produtividade.
Juntas, as usinas possuem capacidade de produção de 1,8 milhão de toneladas de aço e 1,7 milhão de toneladas de produtos laminados longos. A empresa atende o mercado norteamericano da Construção Civil e Indústria com vergalhões, perfis, fio-máquina e tarugos.
Trata-se da mesma linha de produtos que a Gerdau opera na maior parte das suas usinas do Brasil e do exterior. Com esta transação, a Gerdau ampliará sua capacidade total de produção de aço para 6,5 milhões de toneladas anuais.
A Ameristeel possui ainda 18 unidades de corte e dobra de aço denominadas fabrication shops, que incorporam o mesmo concei to de serviços automatizados das cinco fábricas Armafer instaladas pela Gerdau no País. Além dessas, a empresa incorpora três unidades de transformação, duas dedicadas à fabricação de pregos para uso ferroviário e outra à produção de pregos e malhas soldadas.
Estrutura - Com atuação em todo território americano, à exceção da Costa Oeste, a Ameristeel emprega cerca de 2.100 pessoas e apresentou no exercício encerrado em março de 1999 uma receita líquida de US$ 671 milhões. Seus ativos totais somam US$ 545,7 milhões e o passivo financeiro é de US$ 194,7 milhões, dos quais US$ 3,3 milhões de curto prazo e US$ 191,4 milhões de longo prazo.
Neste exercício, a empresa gerou EBITDA (lucro antes de despesas financeiras, impostos, depreciações e amortizações, ou geração operacional de caixa) de US$ 97,6 milhões.
A primeira experiência da Gerdau com uma planta industrial fora do Brasil foi em 1980, no Uruguai, quando adquiriu a Siderúrgia Laisa. Em 1989 instalou-se no Canadá, com a aquisição da siderúrgica Courtice Steel, localizada em Cambridge, província de Ontario.
Em 1992, assumiu a Aza, em Santiago do Chile. E, em 1995
reforçou sua posição no Canadá, com a Manitoba Rolling Mill -MRM localizada em Selkirk, junto a Winnipeg. No final de 1997, a Gerdau começou a operar na Argentina, com a Sipsa - Sociedad Industrial Puntana e, já no ano seguinte, em 1998, ampliou sua participação no mercado argentino de aços longos, após associação com a laminadora Sipar Aceros.
Em 1998, a Gerdau produziu no exterior 687 mil toneladas de aço bruto e 645 mil toneladas de produtos laminados. O volume de vendas dessas unidades atingiu 765 mil toneladas, 20% do total comercializado pelo grupo no período. No conjunto, as usinas Gerdau tiveram um faturamento de US$ 389,6 milhões e um lucro líquido de US$ 35,7 milhões.
Com essa nova empresa, a Gerdau passará a ter quase 45% da sua produção gerada em plantas fora do Brasil, o que deverá refletir positivamente na avaliação de risco que o mercado internacional faz sobre empresas com esse perfil de diversificação de investimentos.

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