Washington, 04 (AE) - No próximo dia 27 de setembro, a Gerdau concluirá a operação de compra de 75% da AmeriSteel - uma empresa siderúrgica com um patrimônio de quatro usinas, em três estados norte-americanos, e 21 fábricas de produtos industrializados de aço (como pregos e trilhos). No ano fiscal de 1999, que terminou no último dia 31 de março, as vendas da AmeriSteel foram de US$ 671,4 milhões e seus lucros foram de US$ 25 milhões.
"Nosso desempenho foi bom, mas foi pior que o do ano fiscal anterior, principalmente por causa da inundação de produtos siderúrgicos subsidiados, que os Estados Unidos importaram de outros países", explicou o porta-voz da empresa, Ron Woerner. Curiosamente, um dos países acusados de exportar aço subsidiado para os EUA é o Brasil.
A AmeriSteel integra o poderoso lobby de empresas e sindicatos siderúrgicos norte-americanos que, em setembro do ano passado, lançou uma ofensiva, junto ao Congresso e ao Departamento de Comércio dos EUA, para proteger seu mercado. O Brasil foi acusado de praticar dumping (venda de um produto a preços inferiores ao custo de produção ou ao preço praticado no mercado de origem) nas suas exportações de laminados a quente e a frio.
O governo norte-americano também decidiu punir os exportadores brasileiros por achar que, apesar de suas empresas serem privadas, eles ainda se beneficiam dos subsídios concedidos na época em que eram estatais. A Gerdau não foi afetada por essas medidas, porque não fabrica nem exporta esses dois produtos.
A principal queixa da AmeriSteel - cujo principal mercado é o doméstico - foi contra as importações de vergalhões do Japão. No ano fiscal de 1998, seus lucros foram de US$ 30,2 milhões - US$ 5 milhões a mais que em 1999. "As nossas usinas sofreram com as importações e a queda de preço, mas em compensação nossas fábricas de produtos de aço tiveram um ótimo desempenho", explicou Woerner.
A crise asiática também foi em parte responsável pela venda da AmeriSteel, que pertencia à Kyoei Steel do Japão. Por causa da recessão, a Kyoei decidiu vender quase todas as suas ações a Gerdau e ficar com apenas 10% da empresa. Os outros 15% pertencem a outros sócios minoritários, entre eles muitos dos 2100 empregados da siderúrgica.
Em princípio, disse Woerner, a AmeriSteel deverá continuar fazendo o mesmo que antes, mesmo tendo mudado de dono. "Não temos muito interesse em exportar - estamos vendendo tudo o que conseguimos produzir no mercado doméstico", disse. Woerner tampouco acha provável que a Gerdau comece a vender os produtos fabricados no Brasil aos EUA.

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