Porto Alegre, 21 (AE) - O governo precisa ser mais "duro" nas negociações contra medidas protecionistas impostas às exportações brasileiras por países europeus e pelos Estados Unidos. A afirmação foi feita hoje pelo presidente do Grupo Gerdau e da Ação Empresarial Brasileira, Jorge Gerdau Johannpeter, que participou do 70º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), em Porto Alegre. "Falta experiência aos negociadores brasileiros", disse.
Segundo ele, o País é "relativamente novo" na política de comércio exterior e não existe uma "tradição" de parceria entre governo e exportadores. "O Brasil precisa desenvolver muito mais sua competência negociadora", comentou.
Na opinião do empresário, numa visão comercial mais ampla "não tem lógica" manter o mercado aberto no País enquanto as empresas brasileiras enfrentam tantas dificuldades para exportar.
Gerdau disse que as barreiras aumentaram depois da desvalorização cambial, no início deste ano, que tornou os produtos nacionais mais competitivos e permitirá ao grupo dobrar suas exportações este ano em relação a 1998, para 300 mil toneladas e mais de US$ 100 milhões, principalmente para o Mercosul.
"Conceitualmente, os países desenvolvidos são favoráveis ao mercado livre, mas eles têm máquinas burocráticas eficientíssimas para evitar que exportadores como o Brasil possam competir", afirmou. No caso do aço, a Europa tem "cotas tão pequenas que nem vale o esforço de exportar."

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