Porto Alegre, 20 (AE) - O governo precisa ser mais "duro" nas negociações contra medidas protecionistas impostas sobre as exportações brasileiras por países europeus e pelos Estados Unidos. A afirmação foi feita hoje pelo presidente do grupo Gerdau e da Açao Empresarial Brasileira, Jorge Gerdau Johannpeter, que participa do 70º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic).
"Falta experiência aos negociadores brasileiros", disse o empresário. De acordo com ele, o País é "relativamente novo" na política de comércio exterior e não existe uma "tradição" de parceria entre governo e exportadores. "O Brasil precisa desenvolver muito mais sua competência negocial"
comentou.
Na opinião do empresário, numa visão comercial mais ampla "não tem lógica" manter o mercado aberto no País enquanto as empresas brasileiras enfrentam tantas dificuldades para exportar.
Gerdau disse que as barreiras aumentaram depois da desvalorização cambial no início deste ano, que tornou os produtos nacionais mais competitivos e permitirá ao grupo dobrar suas exportações este ano em relação a 1998, para 300 mil toneladas e mais de US$ 100 milhões, principalmente para o Mercosul. "Conceitualmente os países desenvolvidos são favoráveis ao mercado livre, mas eles têm máquinas burocráticas eficientíssimas para evitar que exportadores como o Brasil possam competir", afirmou.
No caso do aço, a Europa tem "quotas tão pequenas que nem vale o esforço de exportar", disse o presidente do grupo Gerdau, que além do Brasil tem usinas siderúrgicas no Chile, Uruguai e Canadá. As vendas para os Estados Unidos, segundo ele, são feitas com "muito cuidado", porque se "avançarmos demais enfrentaremos muitas dificuldades".
O empresário gaúcho afirmou ainda que a redução das taxas de juros básicas para 23,5%, anunciada ontem pelo Banco Central, é uma "evolução importante", mas classificou o patamar de "internacionalmente vergonhoso". "No Canadá tomo dinheiro a 5,5% ao ano", comparou. Ao lado da redução dos juros
Gerdau colocou a reforma tributária como uma das principais medidas para a retomada do desenvolvimento e para ampliar a competitividade das empresas brasileiras. "Precisamos de uma estrutura semelhante à dos nossos competidores", disse.

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