Brasília, 23 (AE) - O geólogo Múcio Nobre da Costa Ribeiro, do Departamento de Qualidade Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), defendeu hoje que governo federal e Estados criem campanhas de esclarecimento à população que vive em áreas contaminadas por mercúrio, especialmente no Amapá. Múcio foi o responsável por uma análise que constatou indícios de contaminação de mercúrio na Reserva Biológica do Lago Piratuba, no extremo oeste do Amapá.
O trabalho de Nobre foi desenvolvido a partir de um estudo realizado por 15 cientistas, durante quatro anos, que constatou índices "preocupantes" de mercúrio em cabelos de famílias de pescadores no Lago Duas Bocas, no Amapá. O lago fica próximo à reserva biológica onde Nobre colheu amostras de peixes posteriormente, para realizar a análise. A amostragem de peixes seguiu orientação do próprio Ibama e da USP.
"O ideal é que fossem realizadas campanhas de esclarecimento junto às populações ribeirinhas", disse Nobre, "sobre a contaminação por mercúrio". Segundo ele, muitos estudos sobre contaminação de mercúrio no Brasil servem apenas para ilustrar palestras de seminários, sem no entanto representar providências concretas para proteger as populações atingidas.
Nobre afirmou que não se conhece exatamente o número de pessoas que estão contaminadas por mercúrio na Amazônia. Somente a partir de levantamentos precisos, disse, é que seria possível esclarecer os riscos e levar atendimento adequado à população.
O geólogo destacou que o estudo sobre contaminação de mercúrio no Amapá, coordenado por pesquisadores da Universidade de São Paulo, alertava sobre o perigo de gestantes consumirem peixes contaminados. O geólogo disse que nenhuma campanha de alerta foi feita junto às gestantes da região do Lago Duas Bocas.
Na semana passada, o geólogo entrou com representação junto à 4ª Cãmara do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural da Procuradoria-Geral da República solicitando investigações sobre contaminação por mercúrio no Amapá. O Ibama informou esta semana que enviou técnicos ao Amapá para verificar a extensão do problema. Somente a partir da conclusão dos técnicos é que o Ibama deverá se pronunciar.

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