Belém, 20 (AE) - O diretor de mineração da Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração do Pará (Seicom), geólogo Taylor Collyer, afirmou hoje que os baixos teores e as enormes dificuldades de acesso à região entre os municípios de Monte Alegre, Prainha e Alenquer, no oeste do Estado, onde semana passada foi anunciada a descoberta de urânio num raio de 600 quilômetros debaixo da floresta amazônica, tornam inviáveis economicamente a exploração do produto.
Collyer explicou que o urânio paraense está contido em rochas que se estendem por áreas de serra. Para encontrá-lo seria preciso cavar a até 80 metros de profundidade. "Isso iria comprometer o lençol freático da Amazônia, que está a menos de 20 metros" , disse. "O Brasil é auto-suficiente em urânio e eu não acredito na subida de preço no mercado internacional, porque não há tecnologia nova na siderurgia ou na medicina que justifique o aumento de preço, porque urânio não é um bem mineral de primeira necessidade."
Outro empecilho, na sua opinião, seria a criação de uma malha muito extensa para tentar identificar o tamanho da reserva. Como todo o trabalho dos técnicos limitou-se apenas às pesquisas, ele diz que não se pode falar em sondagem ou em reserva. "Como não há reserva, não há depósito medido para verificar a cubagem do minério de urânio. Sem cubagem não há jazida, que é um depósito com valor econômico".
Quem fez a descoberta de urânio no Pará foram técnicos do Programa de Integração Mineral em Municípios da Amazônia (Primaz), que elaboraram um relatório a pedido da Companhia de Pesquisas de Recursos Minerais (CPRM) e da Seicom. "O relatório do Primaz está correto, mas o fato de ele abordar a potencialidade mineral do urânio não quer dizer que lá exista uma jazida", acrescentou o diretor da Seicom.
Nas décadas de 70 e 80, pesquisadores da extinta Nuclebrás fizeram as primeiras sondagens na região, constatando que os teores de urânio eram entre 100 e 200 porcentagem por milhão (ppm) de minério contida em cada rocha. "Na época em que essa pesquisa começou, a Nuclebrás havia sido criada com o objetivo de tornar o Brasil auto-suficiente em minério de urânio".
Em outros Estados, como Bahia e Ceará, foram descobertas reservas imensas, com teores de 3.800 a 4.000 ppm, com acesso facilitado e infra-estrutura, na beira da estrada, perto de portos e que poderiam atender fontes de consumo, como as usinas de Angra dos Reis. "Essas descobertas fizeram a Nuclebrás deixar as pesquisas que fazia no Pará, buscando áreas mais interessantes".
Para o secretário substituto da Seicom, João Batista Ramos, a área pesquisada não pode ser ainda considerada reserva de urânio, porque ainda não houve medição para avaliar o seu potencial. Ramos disse que o governo do Pará está investindo em pesquisas minerais porque pretende "verticalizar sua base produtiva, gerando emprego e renda".

mockup