GEOLOGIA MÉDICA - Doenças estão relacionadas à água e solo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Um trabalho pioneiro no País realizado no Paraná pela Minerais do Paraná S.A. mostra que há relação entre a alta incidência de doenças em algumas regiões do Estado com a presença de determinados elementos químicos na água ou solo do local. Chamada de geologia científica, a metodologia integra um projeto internacional da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) que busca esses levantamentos nos países. No Brasil, o Paraná é o único estado que usa esse sistema de diagnóstico baseado na análise da água e sedimentos do solo.
A intenção, agora, é convencer o governo federal a expandir o programa. Não há estudos sistemáticos em outros estados, mas diagnósticos pontuais indicam a existência de casos semelhantes de concentração de flúor na Paraíba e Rio Grande do Sul. O geólogo Otávio Augusto Boni Licht, da equipe da Mineropar, calcula que no Brasil cerca de 400 pesquisadores de várias áreas estejam envolvidos no assunto, que é tema de uma rede de discussão, via internet, sob coordenação da Universidade de Campinas (Unicamp).
O trabalho envolve a coleta de amostras do solo, da água e de sedimentos dos rios e análise química desses materiais em laboratório, com objetivo de identificar locais de abundância ou carência de elementos químicos. ''Quando identificamos essas manchas de um elemento em várias bacias vizinhas, a presença de um agrotóxico, por exemplo, sabemos que naquela região as pessoas estão com determinado risco'', diz o geólogo. A identificação dessas manchas, segundo ele, podem ser utilizadas por médicos, em combinação com estudos sanitários, para identificar as causas e efeitos desses produtos nos locais onde têm alta e baixa incidência.
''É preciso muito cuidado quando fala-se em geologia médica para não causar pânico'', diz Otávio Augusto Boni Licht, ressaltando que o trabalho avalia a água não tratada e, portanto, a população suscetível aos problemas detectados é aquela que consome a água de poços ou direto nos rios, e não água tratada. No Norte pioneiro, do Rio Tibagi à barragem Xavantes, nas proximidades de Cornélio Procópio, e entre Paranapoema (120 km ao norte de Maringá) até Figueira (120 km ao sul de Jacarezinho), a pesquisa apontou a existência de alto teor de flúor. Não por coincidência, na região há um grande número de crianças com grande corrosão nos dentes.


