Geógrafo alerta para perigo da neblina em estradas paulistas
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segunda-feira, 12 de julho de 1999
Por Natalie Antar, especial para a AE 
São Paulo, 13 (AE) - Os motoristas que utilizarem as rodovias Anhanguera e Washington Luís durante este mês devem tomar cuidado redobrado com a neblina. Essas vias estão localizadas em regiões propícias à ocorrência do fenômeno, segundo estudo do geógrafo Helmut Troppmair, de 66 anos, professor titular do Departamento de Geografia do Instituto de Geociências Exatas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Rio Claro. Outras estradas vão ser avaliadas ainda. Mas Troppmair adiantou que a maior incidência de nevoeiros no Estado ocorre no Sistema Anchieta-Imigrantes.
O levantamento mostra que, entre 1996 e 1997, a neblina causou nas duas rodovias 76 acidentes, que envolveram 115 veículos e deixaram 51 feridos e quatro mortos. Com base nesses dados, Troppmair identificou os trechos, meses dias e horários mais críticos. "A maioria dos acidentes ocorre no km 150 da Anhanguera, próximo da cidade de Limeira, e no trecho que vai do km 170 ao 190 da Washington Luís, na região da Serra dos Padres, em Rio Claro", disse o professor. "Justamente nos pontos onde há maior incidência de neblina".
Segundo ele, o fenômeno é frequente nessas estradas em maio, junho e, principalmente, julho. Os horários mais complicados são das 5 às 7 horas e das 19 horas à meia-noite. "É maior a ocorrência de acidentes relacionados à neblina no sábado e na segunda-feira de manhã", disse Troppmair. Também são dias de maior movimento nas estradas. "Coincidem com a ida dos paulistanos ao interior e a volta à capital". Visibilidade - Em julho, a visibilidade média é de 100 a 150 metros, em condições de nevoeiro. "É muito limitada", explicou. "Um motorista que estiver dirigindo a 80 quilômetros por hora nessas condições terá apenas 4,5 segundos para realizar uma manobra de emergência, caso apareça um obstáculo". Segundo ele, mesmo a 50 km/h haveria só 7,1 segundos, tempo insuficiente para frear e evitar uma colisão. Para Troppmair, é preciso conscientizar o motorista do perigo da neblina. A sinalização nos trechos de maior intensidade também é importante. "Se puder
a pessoa deve evitar os horários de baixa visibilidade", relatou. "Além de dirigir devagar e usar luz baixa".
Conforme o pesquisador, a neblina das áreas de risco da Anhanguera e da Washington Luís deve-se ao baixo relevo do terreno que acumula ar frio e favorece a condensação da umidade. Os principais tipos de neblina que atingem o Estado são frontal, causada pelo choque entre massas de ar frio e quente; orográfica
que ocorre em função do relevo; e radiação, que ocorre com maior intensidade em vales, pântanos e junto de rios e lagos.
A AutoBAn, que administra o Sistema Anhanguera-Bandeirantes, garantiu que já havia identificado os pontos onde há neblina Anhanguera. Por isso colocou placas avisando sobre a baixa visibilidade. A empresa informou, também, que em breve deve instalar no Sistema 12 detectores de neblina. Os dados serão recebidos imediatamente pelos técnicos da concessionária e repassados aos motoristas por meio dos 14 painéis eletrônicos instalados nas rodovias. Comboio - Segundo a Ecovias, concessionária que gerencia o Sistema Anchieta-Imigrantes onde é maior a incidência de neblina
são realizados comboios sempre que a visibilidade está em 50 metros. Nessa situação, funcionários da empresa e policiais rodoviários, foram grupos de 300 veículos, logo após o pedágio. Os motoristas são obrigados a dirigir em baixa velocidade, entre 20 e 30 quilômetros por hora, e são acompanhados até um ponto considerado seguro. Entre maio de 98 e maio de 99, período em que a Ecovias assumiu o Sistema, foram registrados 56 pequenos acidentes causados pela neblina.


