Genoíno quer PT defendendo privatização e mais longe do serviço público
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segunda-feira, 08 de novembro de 1999
Por César Felício Atenção Editor: Informação incluída no 5º parágrafo 
Brasília, 08 (AE) - O líder do PT na Câmara, José Genoíno Neto (SP), está propondo ao PT a adoção de um programa de governo que não descarte a continuidade das privatizações, zele pela "convivência democrática com a iniciativa privada", incluindo o respeito à propriedade como um dos pressupostos da democracia, e abandone a defesa dos interesses do sindicalismo ligado ao servidor público. "O PT tem que dar um salto de qualidade e para isto estão faltando três coisas: um projeto claro de administração para o País, a abertura para o diálogo com a sociedade eliminando a defesa de interesses corporativos e a superação das brigas internas", afirmou Genoíno. De acordo com o parlamentar, que foi militante do PC do B, guerrilheiro no Araguaia e comanda no PT a tendência "Democracia Radical", "o mercado precisa ser democratizado, mas não extinto".
Segundo Genoíno, a defesa de um modelo estatal deve ser abandonada pelo PT. "Defendo que o sistema de privatização que existe hoje seja revisto, para que o Estado tenha uma relação de parceria com a iniciativa privada, e não a financie", disse o deputado. Ele cita como exemplo a telefonia: "A venda das telefônicas estaduais era plenamente admissível, mas a Embratel deveria permanecer estatal para controlar melhor essa área de concessão pública."
Na campanha eleitoral para a Presidência no ano passado, o candidato do PT Luiz Inácio Lula da Silva chegou a admitir a hipótese de anular a privatização do sistema Telebrás e reestatizá-lo. "Hoje, acho que o processo de privatização deveria ser interrompido por alguns meses para que o governo fizesse uma avaliação do que foi realizado e até mesmo rever os contratos, mas sem reestatização", disse o deputado.
"Não podemos abrir mão da democracia, o que inclui o respeito à propriedade", diz Genoíno. "A coisa pública também precisa ser respeitada: não é correto o governo subsidiar a venda de empresas estatais ou não estabelecer controles sociais sobre as concessões."
Segundo Genoíno, o partido iria se aproximar mais da sociedade, se "eliminasse a defesa exagerada do interesse de certas categorias".
Ele defende a supressão no texto constitucional da proteção a direitos adquiridos. "Não pode existir direito adquirido para a manutenção de privilégios que caracterizam desigualdade", disse
afirmando ser favorável a um teto no pagamento de aposentadorias ao qual teriam que se ajustar mesmo os benefcios já pagos.
O parlamentar, candidato declarado ao governo de São Paulo, pretende disputar a Presidência da República caso Lula desista de uma nova candidatura e o apóie explicitamente. Ele divulgou pela Internet (www.genoino.org) uma tese de programa partidário que será discutida no Congresso do PT que começa no próximo dia 24, em Belo Horizonte.
Na tese, Genoíno propõe que o partido se mantenha dentro dos limites estritos da institucionalidade. "Só se justifica a desobediência civil em duas situações: a insurreição contra um poder absoluto e a garantia da sobrevivência fsica das pessoas, tradição do pensamento político nos Estados Unidos", disse, admitindo estar mais próximo de Thomas Jefferson ou Benjamin Franklin do que de Karl Marx.
Novo paradigma - "Não tenho mais o marxismo como referência e no PT este pensamento nunca foi hegemônico, o partido sempre teve várias matrizes ideológicas", disse. Para Genoíno, "o PT deve concentrar a sua proposta na universalização dos direitos e das oportunidades, resgatando a idéia do socialismo libertário".


