São Paulo, 21 (AE) - Se o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) estiver realmente disposto a defender a criação de um imposto para o combate a pobreza, o deputado José Genoíno (PT-SP) acredita que ele tem força para arregimentar apoio suficiente no Congresso para aprovar a proposta. "Ele fez isso para uma coisa muito menor que foi a emenda Ford", disse Genoíno. "Mas eu pago para ver."
"Se essa defesa for para valer, acho que vale, no âmbito do Congresso, um grande consenso social dos partidos para a aprovação desse imposto", afirmou Genoíno. O imposto proposto pelo senador, de acordo com o deputado, não é uma idéia nova, mas formulada originalmente pelo próprio PT. "Finalmente, o ACM adota uma idéia do PT", ironizou.
"A miséria social está virando uma guerra", disse Genoíno
avaliando que a opinião pública está receptiva à discussão desse tema. "O modelo que radicalizou o lucro e a vantagem está chegando ao colapso", emendou. Assim, ACM estaria "tentando ganhar espaço junto à opinião pública" ao falar do combate à miséria. "O ACM é um ser político por excelência", avaliou o deputado, sobre os objetivos finais do senador.
De acordo com Genoíno, o PT apresentou a proposta do Imposto Solidariedade à comissão que discute a reforma tributária no Congresso. A partir de um patrimônio de R$ 50 milhões (pessoa física) e de R$ 100 milhões (pessoa jurídica), o contribuinte teria de pagar um imposto de 10% sobre o valor desse patrimônio, parcelado em quatro anos. A idéia veio da experiência da reconstrução européia após Segunda Guerra.
Esse imposto geraria recursos para a execução do Programa de Imposto de Renda Negativo, de autoria do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), conhecido como programa de renda mínima. O programa garante uma renda mensal de um salário mínimo para famílias carentes, com alguns condicionantes, como o de manter crianças na escola até os 14 anos.

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