Genoíno critica decisão do BC de não divulgar fluxo de câmbio
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segunda-feira, 01 de fevereiro de 1999
Por Jô Pasquatto 
São Paulo, 30 (AE) - O deputado federal José Genoíno (PTSP) criticou hoje a decisão do Banco Central de não divulgar as informaçäes relativas ao fluxo diário do mercado de câmbio. A medida entra vigor na segunda-feira (01). "Acho um erro porque uma das condiçäes de credibilidade da política econômica é a transparência e o governo não pode resolver a falta de credibilidade escondendo dados", disse Genoíno.
Genoíno também criticou a política de aumento da taxa de juros como instrumento de combate à inflação, como justifica o BC. "O aumento de juros tem o efeito de uma tempestade para destruir certos setores da sociedade." Para ele, mesmo que a taxa seja reduzida depois não há recuperação do prejuízo ocorrido num primeiro momento. "E o estrago vai atingir contratos, compromissos com o Sistema Financeiro, prestaçäes etc", disse.
Posse -Deputado mais votado no País, com quase 400 mil votos, Genoíno toma posse na segunda-feira. Será seu quinto mandato como deputado federal petista. Ele acredita que o presidente Fernando Henrique Cardoso encontrará um Congresso mais combativo. "Teremos mais autonomia para o debate da crise, não vai ser com aquela subserviência com que trabalhou nos primeiros quatro anos da gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso."
Na avaliação de Genoíno o cenário é diferente porque o novo Congresso está se instalando num quadro de crise, com um governo enfraquecido e sua base parlamentar mais flexível, mais aberta à pressão da sociedade, descontente com o governo. "Acho que a oposição vai ter mais espaço, primeiro porque ela cresceu em número e em qualidade e depois porque algumas teses da oposição que não eram ouvidas agora estão sendo consideradas no debate público."
O deputado participou hoje do Encontro Nacional dos Banespianos, na quadra do Sindicato dos Bancários. Ele foi um dos oradores convidados e discutiu a conjuntura político-econômica. Genoíno afirmou que o PT é oposição e não pretende apoiar o governo Mário Covas mas admite que o partido pode atuar como interlocutor no caso do Banespa. "Acho que em São Paulo temos condição de fazer uma oposição com diálogo para discutir projetos importantes para o Estado."
Banespa - O encontro, que reuniu cerca de 400 pessoas, entre diretores de sindicatos ligados ao banco e funcionários, discutiu basicamente dois temas: táticas de mobilização contra a privatização do banco, hoje federalizado, e campanha salarial. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de SP, João Vaccari, o encontro deve reafirmar as propostas anteriores, que estão em pauta de negociação há cerca de um mês. "Nossa principal reivindicação é o reajuste de 1,2% retroativo a setembro de 98 e a manutenção das cláusulas sociais", disse Vaccari.
Segundo ele, a diretoria do Banespa ofereceu 0,5% de reajuste e propôs a eliminação de 32 cláusulas sociais. As resoluçäes do Encontro Nacional, com a rejeição da proposta apresentada pela diretoria do banco e a reabertura das negociaçäes, serão entregues ao presidente do Banespa, João Alberto Magro, e ao presidente do Conselho de Administração, Amaury Bier, na próxima segunda semana. Na agenda de mobilização está previsto o dia 9 de fevereiro como Dia Nacional de Luta dos Banespianos, com atividades em todas as bases sindicais.


