Genoíno cobra explicação para demissão de jornalista
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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Nelson Breve 
Brasília, 25 (AE) - Na sessão de hoje da Câmara, o líder do PT, José Genoíno (SP), cobrou explicações do líder do governo, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), sobre a demissão do jornalista Valdeci Rodrigues, da Rádio CBN. Genoíno disse que, "segundo informações", a demissão teria ocorrido "por pressão do Banco do Brasil, que patrocina aquela rádio".
Outros deputados também protestaram contra a demissão do jornalista, comunicada nesta manhã. O assunto foi abordado inclusive na reunião da bancada do PSDB com o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira. Durante a reunião, o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) cobrou uma atitude do governo no sentido de reverter a demissão caso a versão do jornalista fosse comprovada.
"Não acredito que um governo integrado por pessoas que foram cassadas por suas palavras, idéias e opiniões, como é o caso do próprio presidente Fernando Henrique Cardoso, possa admitir esse tipo de atitude", declarou Hauly, pouco depois. A demissão do jornalista aconteceu depois que ele levou ao ar denúncia de um representante de sindicato rural do interior de Goiás. O sindicalista, participante do "caminhonaço" dos produtores rurais, afirmou que os gerentes do Banco do Brasil liberam crédito rural para os grandes produtores mediante pagamento de propina.
Posteriormente, o jornalista denunciou um funcionário do Banco do Brasil que o estaria ameaçando em razão da denúncia. O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), disse ao jornalista que levou o assunto ao presidente Fernando Henrique e que o presidente lhe garantiu que não admite esse tipo de atitude por parte de funcionários do governo e pediu que o assunto fosse apresentado ao presidente do Banco do Brasil, Paolo Zaghen.
No final da sessão de hoje, Hauly respondeu como vice-líder do governo na Câmara a questão de ordem feita por Genoíno. "Havendo provas, nós, da liderança, assumimos o compromisso de, imediatamente demitir quem fez esse tipo de pressão", afirmou o deputado.


