Genocídio em Ruanda deixou pelo menos 500 mil mortos, segundo estudo
Paris, 31 (AE-REUTERS) - As mortes de centenas de milhares de ruandeses no genocídio de 1994 não foram motivadas pelo ódio tribal, mas por um desejo disfarçado de sobrevivência política, garante um novo estudo sobre o massacre divulgado nesta quarta-feira (31).
Pelo menos meio milhão de pessoas morreram durante as 13 semanas de assassinatos nesta nação centro-africana em meados de 1994, informava o relatório de mais de 900 páginas intitulado "Não deixe ninguém para contar a história".
O número de mortes mencionado no documento levantado pela norte-americana Human Rights Watch e pela francesa Federação de Ligas dos Direitos Humanos está bem abaixo de outras estimativas
incluindo número da ONU que citam mais de 800 mil massacrados.
O relatório é baseado em quatro anos de pesquisas realizadas em Ruanda, centenas de entrevistas e milhares de documentos nunca antes tornados públicos, de acordo com os autores.
Seu principal achado traz à tona a noção de que o genocídio, iniciado em 6 de abril de 1994, após o presidente ruandês Juvenal Habyarimana ser assassinado por assaltantes desconhecidos, foi "uma explosão de ódio... motivado por antigas desavenças tribais".
Isto amenizou "uma deliberada escolha de uma moderna elite política de incitar o medo e oódio para se manter no poder". Em vez de serem "possuídos por demônios", os hutus ruandeses "optaram por perpetuar maldades" no massacre de tutsis e hutus moderados.
"Muitos (hutus) expressaram prazer em infringir terríveis sofrimentos contra suas vítimas (enquanto) centenas de milhares de outros uniram-se hesitantemente ao genocídio", afirmou o relatório. Segundo o estudo, as mortes representam três quartos da população tutsi de Ruanda.





