Geneticista da Embrapa propõe "moratória flexível" no plantio de transgênicos
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de julho de 1999
Por Sérgio Bueno 
Porto Alegre, 19 (AE) - A geneticista Maria Irene Baggio
da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) de Passo Fundo (RS), suger a adoção de uma "moratória flexível" em relação ao plantio comercial de sementes geneticamente modificadas. Para ela, as liberações deveriam ser concedidas "caso a caso", a partir do gerenciamento de riscos e benefícios para aproveitar novas oportunidades que a biotecnologia pode propiciar aos pequenos agricultores com o cultivo de produtos de maior valor agregado.
Maria Irene afirma que não recomendou a liberação imediata das cinco variedades de soja transgênica produzidas pela Monsanto, como chegou a ser divulgado durante a 51ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)
na semana passada. "Não posso recomendar cultivos porque há comissões específicas para isso, além da própria CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança", afirmou.
A geneticista comparou as resistências de setores da comunidade científica, de políticos e consumidores aos transgênicos a um processo que "superestima a goteira diante da cachoeira". Segundo ela, ao reduzir a necessidade de aplicação de herbicida, a modificação genética da soja gera reflexos positivos à saúde humana. Além disso, explicou que o glifosate, princípio ativo do herbicida Roundup, da Monsanto, já não é mais protegido por patente e pode ser produzido por outras empresas, neutralizando o risco de monopólio.
Entre os benefícios que a biotecnologia pode oferecer, Maria Irene citou um tomate produzido na Inglaterra com um antioxidante que reduz em até 40% o risco de câncer na próstata. Ela revelou ainda que cientistas alemães já dominam a técnica de transferência, para a cevada, de um gene da videira que aumenta a longevidade humana.


