Genética traz novas perspectivas à cura do câncer
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de outubro de 2002
Raphael Gomide <BR>Agência Estado 
Rio de Janeiro - Especialistas em câncer reunidos no Rio para o 2º Congresso Franco-Brasileiro de Oncologia vêem na genética o caminho para a cura da doença e acreditam estar diante de uma revolução na forma de tratamento. Os franceses Jean Pierre Armand, presidente da Sociedade Francesa de Câncer, e Thomas Tursz, diretor do Instituto Gustave Roussy de Paris, maior instituição de pesquisa e tratamento da doença na Europa, são otimistas.
``Estamos vivendo uma nova era na cancerologia. A descoberta de defeitos genéticos abre perspectivas para enormes avanços rumo à cura da doença. Alguns tipos de câncer, como o raro sarcoma gástrico, por exemplo, já têm remédios desenvolvidos a partir da descoberta desses genes. É uma revolução``, diz o oncologista Thomas Tursz.
O uso da genética, de plantas medicinais e de outras pesquisas para a cura da segunda enfermidade que mais mata no Brasil 122.600 mortes estimadas para 2002 é o tema central da conferência que trouxe 19 dos principais oncologistas da França ao Rio. ``Se caísse o avião, acabaria a oncologia na França. Por isso, viemos separados``, brincou Armand. Cerca de 500 pessoas participam do evento, que começou ontem e termina amanhã.
O especialista em cabeça e pescoço Christian Domenge, presidente da Comissão Científica do congresso, veio apresentar a técnica que desenvolveu e combina radioterapia e quimioterapia no tratamento de casos de câncer de faringe. ``Antes, o usual era retirar a faringe. Com essa técnica, muito menos agressiva, preservamos a faringe e aumentamos a taxa de sobrevida, que hoje é de 50% em cinco anos.`` O tipo de câncer combatido por Domenge é comum no Brasil e tem como causas principais o fumo e a bebida também responsáveis pela maioria dos casos da doença na boca, língua, cordas vocais e pulmão.
Prevenção - Para a presidente da Sociedade Franco-Brasileira de Oncologia e organizadora do congresso, Carla Ismael, a considerável incidência no País desses tipos de câncer, além dos de colo de útero e de mama, deve-se à precariedade da prevenção.
Normalmente, a doença só é identificada quando já está em estágio avançado e a cura fica mais cara e difícil. ``É um absurdo que se morra no Brasil de câncer de colo de útero, que pode ser perfeitamente evitado com exames básicos. Na Europa, por exemplo, já nem há mais especialistas nessa área.`` Para ela, é fundamental que o governo federal promova campanhas nacionais de prevenção para reduzir os atuais números.


